Anhanguera é intimada a esclarecer irregularidades aos Sindicatos dos Professores de SP

As possíveis irregularidades cometidas pela Faculdade Anhanguera de descumprimento da cláusula que garante gratuidade nas mensalidades dos professores, funcionários e dependentes; mudança unilateral do início das férias e prazo exíguo para a correção de provas e envio das notas resultaram na prestação de esclarecimentos da instituição no Foro Conciliatório de Conflitos Coletivos. A intimação para a última sexta-feira, 12, foi feita pelos Sindicatos dos Professores - Fepesp e pelo Sinpro ABC. 

Na ocasião os órgãos exigiram o imediato cumprimento da Convenção Coletiva. A discussão não foi concluída e uma nova reunião foi marcada para o dia 07 de agosto. Até esta data, os sindicatos estão recebendo denúncias dos trabalhadores que hoje estão pagando pela bolsa.

A denúncia mais grave refere-se à bolsa de estudo, garantida pela Convenção Coletiva de Trabalho a todos os professores e auxiliares de administração escolar, uma vez que a Anhanguera criou regras próprias para concessão da bolsa, desrespeitando a Convenção.

Entre as normas inventadas, a faculdade condiciona a bolsa integral a uma jornada mínima semanal. O professor ou auxiliar que não cumprir 20 aulas ou mínimo de 10h de trabalho terá de pagar 40% da mensalidade. No caso dos dependentes não existe bolsa integral. Caso o empregado cumpra a jornada acima, seu dependente terá desconto de 80%. Se estiver fora do mínimo, o desconto é de 40%. A Convenção garante até duas bolsas de estudo, com gratuidade integral para os professores, funcionários não docentes e filhos ou dependentes, independente da carga horária.

Outra regra inventada pela Anhanguera estabelece que a bolsa, mesmo que parcial, não vale para cursos de mestrado ou doutorado.

Início das férias

A Anhanguera também descumpriu a Convenção ao mudar o início das férias de 02 para 03 de julho. A IES não poderia ter alterado o calendário escolar sem aprovação de órgão competente e precisaria ter comunicado a mudança aos professores e os sindicatos no início do ano.

A mudança unilateral, feita em cima da hora no final de junho, trouxe prejuízos aos professores. Além disto, a IES poderia se valer da mudança para demitir professores no dia 02 sem a garantia semestral de salários.

A Anhanguera admitiu o fato e atribuiu a mudança de data ao fluxo de caixa da empresa: como não teria recurso para pagar o salário de férias 48 horas antes da data prevista, optou por adiar o início das férias.

O adiamento do período de férias foi irregular e , por isso, se algum professor foi demitido no dia 02, deve receber a Garantia Semestral de Salários.

24 horas

A Anhanguera também foi cobrada sobre o tempo curto para os professores entregarem notas depois da aplicação das provas de junho. O Sinpro ABC apresentou um calendário de atividades da IES comprovando a situação: em alguns casos, o tempo era de 48 ou até 24 horas para correção e entrega das notas. A IES alegou desconhecer o fato e disse que adotará providências com os coordenadores de curso.

A Fepesp e os demais sindicatos procurarão saber se os problemas ocorreram em outras unidades. Em caso de problema na sua unidade, procure seu sindicato ou faça a denúncia à Fepesp.

Outras falhas

Ano passado, nos meses de agosto e outubro o portal divulgou duas matérias que apontavam possíveis irregularidades na Faculdade Anhanguera de Taboão. A primeira apontava notícia de irregularidade na adequação do curso de Gestão Empresarial e Patrimonial da Faculdade Anhanguera de Taboão da Serra junto ao Ministério da Educação (MEC) por propaganda enganosa. Leia aqui e aqui.

A faculdade foi alvo também de ter 95% de seus candidatos para Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) reprovados na prova do ano de 2011. Por conta disso, o MEC diminuiu em 64 o número de vagas para o referido curso.

Além disso, a demora de mais de oito meses na entrega do certificado de conclusão de curso preocupa a turma de alunos de MBA em Gestão de Pessoas – relembre aqui.

Outro lado

O Grupo Anhanguera Educacional informou em nota oficial ao Jornal que cumpre com a Convenção Coletiva junto à Federação dos Professores do Estado de São Paulo (FEPESP), que inclui o Sindicato dos Professores do ABC (SINPRO-ABC), para os docentes que atuam nas unidades da Instituição no Estado de S. Paulo, tanto na política de bolsas de estudos quanto ao calendário de férias e prazos para revisão de provas. 


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