No Ibirapuera, nosso Grito pela Paz!

Por Marco Pezão | 14/02/2013

No domingo de carnaval não houve rodada na várzea taboanense. Em compensação, no sábado, 09, tive a grata satisfação de ser convidado pela Agência Solano Trindade para declamar no sarau Grito Pela Paz, no auditório do Ibirapuera. 

A empresa leva o nome do maior poeta negro brasileiro. Solano Trindade, pernambucano, radicado no Embu na década de 1960, junto com Assis impulsionou o movimento dos artistas, criando a famosa feira de arte, aos domingos. Tão importante a pegada, que o nome da vizinha cidade teve de ser acrescido na grafia.

Rapaziada boa de trampo, da área dos Jds Maria Sampaio e Leme. Um show inesquecível nos proporcionaram. Os artistas da periferia abrilhantaram a noite em palco concebido por Oscar Niemeyer.

Profissionalmente falando, o espetáculo não teve brecha. Diverso em sua programação: poesia, capoeira, dança afro, reggae, rap... astral, ritmo, e competência.

 Z’África Brasil, Veja Luz, Zinho Trindade, Wesley Noog, Baltazar, Binho, Serginho Poeta, Luam, Rafael, Thiago... Um pessoal que está na estrada batalhando com seriedade. Buscando espaço, difundindo a cultura e arte urbana. E o que é melhor! São da nossa quebrada.

- Vamos se abraçar e igualar nossas energias, disse o mano Aderbal. Foi contagiante. Pra comprovar o que digo acesse a Pós Tv: http://www.postv.org

Umas seiscentas pessoas na plateia participaram do evento. O Grito pela Paz não é freio para as discriminações, preconceitos, intolerâncias, a violência sofrida. É sintoma forte que a literatura periférica vai se compondo, tendo como fundo a denúncia, cobrando oportunidades iguais pra competir.

Dizendo por mim, declamar ‘Nóis é ponte e atravessa qualquer rio’ naquele tablado imenso é como fazer um gol e correr pro abraço.
Que falta faz um TEATRO na nossa região!

Comentários