Perícia identifica resíduos de disparo em vítima e policial acusado de feminicídio em Embu das Artes
Antes registrada como morte suspeita, a morte da técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, ganhou novos elementos na investigação. Um laudo residuográfico do Instituto de Criminalística identificou resíduos de chumbo nas duas mãos da vítima e na mão esquerda do marido, o soldado da Polícia Militar Vinicius Costa Silva, de 26 anos, denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) pela morte da esposa.
Larissa foi encontrada morta com um tiro na cabeça no banheiro do apartamento onde morava com o marido, em Embu das Artes, no dia 8 de setembro. Na ocasião, Vinicius afirmou à polícia que a esposa havia cometido suicídio. No entanto, com base nos elementos reunidos ao longo da investigação, o MPSP apresentou denúncia contra o policial, e o processo tramita sob segredo de Justiça.
Os exames periciais apontaram que a trajetória do projétil no crânio da vítima ocorreu “de trás para frente e da esquerda para a direita”, informação considerada relevante para a apuração do caso. O exame necroscópico também revelou ao menos 16 equimoses (marcas semelhantes a hematomas) distribuídas pelas mãos, pés, joelhos e perna esquerda de Larissa.
De acordo com o boletim de ocorrência, Vinicius relatou que chegou em casa por volta das 6h da manhã, discutiu com a esposa sobre o fim do relacionamento e, em seguida, foi dormir. Segundo sua versão, ele acordou após ouvir o disparo e encontrou Larissa caída no banheiro, ao lado de seu revólver particular calibre .357.
A hipótese de suicídio, entretanto, foi contestada pela família da vítima. Familiares afirmam que Larissa enviou uma mensagem cerca de duas horas antes de ser encontrada morta, comunicando o término do relacionamento.
Vinicius foi preso temporariamente em 7 de setembro, durante o velório da esposa, e permanece detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista.
Durante as investigações, a Polícia Civil também cumpriu mandado de busca e apreensão na residência da irmã do policial, Thamires Costa Mathias. Ela estava no apartamento do casal cuidando do filho de dois anos no momento da ocorrência. A medida teve como objetivo apurar uma possível alteração da cena do crime.
Em nota, a defesa de Vinicius, representada pelo advogado Roberto Montanari, negou que o policial tenha cometido homicídio e afirmou que os laudos periciais reforçam a tese de suicídio.
Segundo a defesa, a análise técnica dos documentos aponta para uma dinâmica compatível com a versão apresentada pelo policial. Os advogados também sustentam que Vinicius nunca praticou violência contra a esposa e classificam o caso como uma tragédia que deve ser analisada com base nas provas produzidas durante a investigação.
A defesa informou ainda que os laudos anexados ao processo, em sua interpretação, não comprovam a autoria do crime e reforçam a necessidade de uma avaliação criteriosa de todas as evidências reunidas pelas autoridades
Da Redação do Jornal na Net
