Como o cinema influencia em nossa visão de mundo

Por Outro autor | 8/10/2021

Se você gosta de cinema, saiba que provavelmente já foi uma vítima dele. Não que isso seja uma coisa ruim, porque não estamos falando de um filme de James Cagney, mas sim de comportamentos, atitudes e crenças que as telonas nos passam, de maneira mais ou menos explícita, a cada sessão que assistimos.

O cinema é uma mídia envolvente. Desde sua invenção pelos irmãos Lumière, as multidões têm sido levadas pela mágica da imagem em movimento. A primeira exibição pública, que mostrava um trem partindo de uma estação, fez diversos incrédulos espectadores saírem correndo da sala escura. Com o tempo, a nova linguagem foi absorvida pelo grande público e logo se descobriu que o comportamento dos atores na tela servia como modelo para as plateias.

A indústria do tabaco percebeu rápido o poder de influenciar do cinema e, em um piscar de olhos, galãs e femme fatales estavam com cigarros nas mãos, estimulando toda uma geração a se tornar tabagista. Felizmente os tempos mudaram e, hoje, os heróis dos filmes não fumam mais – a menos que seja um filme de época, uma brecha que ainda não foi fechada. Hoje, as estrelas tomam certos isotônicos, usam certos calçados e digitam em certos computadores. Mas nada que faça mal à saúde.

O cinema sempre foi um grande influenciador social, muito antes deste termo sequer existir. Várias atividades ganharam uma percepção pública graças aos filmes na telona. Pouca gente se dá conta, mas no passado os jogos de poker eram privilégio de alguns conhecedores. Depois de aparecer em diversos filmes, conquistaram uma nova dimensão. Esse poder de propagação criou o que hoje se chama de product placing, a inserção de produtos ou marcas na história que, ao contrário do poker, pagam um bom dinheiro para estar ali. Ou alguém acha que o filme Náufrago escolheu aleatoriamente uma empresa de entregas para ser o emprego do protagonista? E a bola de vôlei amiga de Tom Hanks? Apenas coincidência?

O product placing é um expediente legítimo, quando usado com parcimônia, e no contexto da história. Mas às vezes os estúdios perdem a mão, e forçam uma marca a marretadas no roteiro. Ou escancaram a propaganda a ponto de atrapalhar o andamento do filme. A versão cinematográfica do desenho animado Josie e as Gatinhas é irritantemente forrada de jabá, como se diz na gíria. O roteirista teve que encaixar tantas marcas que acabou esquecendo de fazer uma história.

Aparte as questões comerciais, filmes continuam sendo ótimas formas de transmitir mensagens importantes a grandes públicos. E isso se consegue com o filme que se faz e com o filme que não se faz. No passado, era comum que minorias fossem satirizadas nas histórias. Com o passar do tempo e com as mudanças na sociedade, isso passou a não ser mais aceitável. Os produtores e diretores estão especialmente atentos a estas questões e não só evitam as piadinhas de antigamente, como também se preocupam em disponibilizar oportunidades iguais para todos – na frente e atrás das câmeras. O filme Pantera Negra utilizou um amplo cast de atores afro-americanos, mas a grande maioria da equipe técnica também era negra. Em tempo, o filme foi indicado ao Oscar daquele ano.

Se você gosta de cinema, saiba que provavelmente já foi uma vítima dele. Não que isso seja uma coisa ruim, porque não estamos falando de um filme de James Cagney, mas sim de comportamentos, atitudes e crenças que as telonas nos passam, de maneira mais ou menos explícita, a cada sessão que assistimos.

O cinema é uma mídia envolvente. Desde sua invenção pelos irmãos Lumière, as multidões têm sido levadas pela mágica da imagem em movimento. A primeira exibição pública, que mostrava um trem partindo de uma estação, fez diversos incrédulos espectadores saírem correndo da sala escura. Com o tempo, a nova linguagem foi absorvida pelo grande público e logo se descobriu que o comportamento dos atores na tela servia como modelo para as plateias.

A indústria do tabaco percebeu rápido o poder de influenciar do cinema e, em um piscar de olhos, galãs e femme fatales estavam com cigarros nas mãos, estimulando toda uma geração a se tornar tabagista. Felizmente os tempos mudaram e, hoje, os heróis dos filmes não fumam mais – a menos que seja um filme de época, uma brecha que ainda não foi fechada. Hoje, as estrelas tomam certos isotônicos, usam certos calçados e digitam em certos computadores. Mas nada que faça mal à saúde.

O cinema sempre foi um grande influenciador social, muito antes deste termo sequer existir. Várias atividades ganharam uma percepção pública graças aos filmes na telona. Pouca gente se dá conta, mas no passado os jogos de poker eram privilégio de alguns conhecedores. Depois de aparecer em diversos filmes, conquistaram uma nova dimensão. Esse poder de propagação criou o que hoje se chama de product placing, a inserção de produtos ou marcas na história que, ao contrário do poker, pagam um bom dinheiro para estar ali. Ou alguém acha que o filme Náufrago escolheu aleatoriamente uma empresa de entregas para ser o emprego do protagonista? E a bola de vôlei amiga de Tom Hanks? Apenas coincidência?

O product placing é um expediente legítimo, quando usado com parcimônia, e no contexto da história. Mas às vezes os estúdios perdem a mão, e forçam uma marca a marretadas no roteiro. Ou escancaram a propaganda a ponto de atrapalhar o andamento do filme. A versão cinematográfica do desenho animado Josie e as Gatinhas é irritantemente forrada de jabá, como se diz na gíria. O roteirista teve que encaixar tantas marcas que acabou esquecendo de fazer uma história.

Aparte as questões comerciais, filmes continuam sendo ótimas formas de transmitir mensagens importantes a grandes públicos. E isso se consegue com o filme que se faz e com o filme que não se faz. No passado, era comum que minorias fossem satirizadas nas histórias. Com o passar do tempo e com as mudanças na sociedade, isso passou a não ser mais aceitável. Os produtores e diretores estão especialmente atentos a estas questões e não só evitam as piadinhas de antigamente, como também se preocupam em disponibilizar oportunidades iguais para todos – na frente e atrás das câmeras. O filme Pantera Negra utilizou um amplo cast de atores afro-americanos, mas a grande maioria da equipe técnica também era negra. Em tempo, o filme foi indicado ao Oscar daquele ano.

Esse aspecto social do cinema é especialmente visível nos diversos festivais que acontecem todos os anos, inclusive no Brasil. Neles, júri e público dão indicações claras das tendências para os próximos anos. Não apenas nas questões técnicas, mas também no tipo de história que está sendo mostrada, e de que forma está sendo contada. O vencedor de um festival, mais do que um filme tecnicamente correto, é um propagador de ideias e de novos comportamentos.

Há quem diga que o cinema é meramente o reflexo da nossa sociedade. Talvez estejam certos, e a arte imite a vida. Ou talvez haja mais simbiose do que se costume admitir e os filmes tenham o poder quase sobrenatural de capturar o espírito da uma época e transformá-lo em frames num rolo de celuloide.

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