Escolas terão conteúdos específicos para debater violência contra à mulher

Por Natália Bassi | 14/06/2021

Escolas de todo o Brasil terão conteúdos específicos para tratar sobre violência contra à mulher em salas de aula. A decisão veio após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionar a lei na última sexta-feira (11).

A ideia é que as crianças e adolescentes já aprendam desde cedo a importância de combater a violência de gênero. A lei enfatiza a necessidade de “impulsionar a reflexão crítica entre estudantes, profissionais da educação e comunidade escolar sobre a prevenção e o combate à violência contra a mulher" e "promover a igualdade entre homens e mulheres, de modo a prevenir e a coibir a violência contra a mulher".

Líder jurídica do Projeto Justiceiras e presidente da Virada Feminina em Taboão da Serra, a ex-coordenadora dos Direitos da Mulher de Taboão, Dra. Sueli Amoedo, conversou com a reportagem sobre o assunto. Ativista há muitos anos na causa, ela enfatizou o quanto a lei será importante para ensinar sobre os ciclos de violência e padrões de comportamento que resultam nessa realidade difícil enfrentada por muitas mulheres jovens e adultas.

“A violência contra a mulher é uma construção social, sem se perceber as famílias reproduzem comportamentos apreendidos, e a abusividade é algo que é multiplicado porque se aprendeu assim. Falar de violência de gênero no meio acadêmico também ensinará a não culpabilização da mulher ao sofrer qualquer tipo de violência, e incentivará que alunos percebam se sofrem violência em suas casas. Ajudará também que meninas relatem se são assediadas em seus lares e façam denúncias sabendo que são amparadas”, disse

Outra medida que será implantada nas escolas é a divulgação massiva da Lei Maria da Penha em instituições públicas e privadas. Da educação infantil ao ensino médio, os alunos aprenderão como a lei funciona e a maneira que ela é utilizada para salvar tantas vidas. Essa será apenas uma das atividades da Semana Escolar de Combate à Violência Contra à Mulher. O evento acontecerá todos os anos, especificamente no mês de março, para conscientizar as crianças e jovens sobre a gravidade da violência de gênero.

“Falar diretamente aos alunos, não ensinará somente sobre a lei maria da Penha, seus aspectos legais e responsabilização, mas ficará claro que as violações de direitos dentro dos lares são as mais comuns e precisam ser combatidas”, explicou a ativista.

Dra. Sueli Amoedo concorda que a melhor maneira de lutar contra a violência é incentivar projetos que tragam conscientização. Para ela, a Semana Escolar de Combate à Violência Contra a Mulher vem justamente com essa proposta.

“Hoje existem muitos projetos de reeducação para homens autores de violência, que notadamente diminuem a reincidência. Dessa forma, investir em educação é o melhor caminho para o fim da desigualdade de gênero, que torna os comportamentos machistas e agressivos”, conclui.

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