Mais da metade da população não tem certeza se fará a próxima refeição

Por Natália Bassi | 13/04/2021

Uma pesquisa divulgada pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) mostrou a situação grave pela qual muitos brasileiros passam nessa pandemia. Além do medo do coronavírus, outra realidade que tem apertado não só o coração de muitos, mas também o estômago, é a fome que cresceu abruptamente. Estima-se que 116,8 milhões de pessoas estão sofrendo com a insegurança alimentar no Brasil, isto é, acesso insuficiente a comida de qualidade.

Esses dados assustadores não eram registrados há mais de 17 anos no país. Com o alastramento da pandemia ocasionado pela segunda onda, o desemprego aumentou e a pobreza, consequentemente, teve um crescimento exponencial. Ao contrário do que muitos pensam, essa realidade não atingiu somente as classes sociais mais baixas. Muitas pessoas que antes eram consideradas pertencentes a classe média também foram impactadas e viram os alimentos desaparecerem aos poucos de suas despensas e mesas.

A aceleração da fome começou ainda entre 2018 e 2020, quando um crescimento de 27,2% foi registrado. Vale lembrar que no final do ano passado as parcelas do auxílio emergencial eram maiores, bem como o número de pessoas que recebiam o benefício. Agora, em 2021, o dinheiro ofertado é consideravelmente menor e os beneficiários também diminuíram, conforme critérios estabelecidos pelo Governo Federal.

As famílias mais afetadas são as chefiadas por mulheres ou pessoas negras que possuem renda por pessoa de meio salário mínimo. A pesquisa também evidencia que a fome é realidade em 11,1% dos domicílios chefiados por mulheres. Já pessoas pretas ou pardas enfrentam insegurança alimentar grave em 10,7% dos lares, contra 7,5% entre os brancos.

Com o fim da pandemia ainda nem perto de chegar, a perspectiva é que a situação que já é ruim possa piorar ainda mais. O acesso insuficiente a comida será uma realidade dos lares brasileiros e, assim como a pandemia, também levará muitas pessoas ao sofrimento.


Ações de solidariedade

Em contraponto a essa situação cruel, muitas pessoas estão colocando as mãos na massa e praticando em toda a sua literalidade a solidariedade. Muitas cidades estão registrando ações de grupos independentes e ongs para arrecadação de alimentos não perecíveis, produtos de higiene pessoal e limpeza. Além disso, governos estaduais de todo o Brasil estão aderindo a campanhas que lutam contra a fome, arrecadando em postos de vacinação mantimentos que serão destinados à famílias em situação de vulnerabilidade social. Na região, Embu das Artes e Taboão da Serra, já estão com a campanha em funcionamento e muitas pessoas já colaboraram com a doação.

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