Se a CROSS não transferir pacientes da UPA haverá mais mortes em Taboão, diz Saúde

Por Sandra Pereira | 10/03/2021

Se o governo do Estado não disponibilizar leitos de UTI para a transferência de pacientes, mais pessoas vão morrer sem atendimento na UPA Dr. Akira Tada. A afirmação é da secretária adjunta de Saúde, Thamires May, nesta terça-feira, 9. Ela revelou que desde o dia 3 de março Taboão teve os pedidos de transferência de pacientes de Covid-19 negados pela Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde (CROSS), que administra a transferência de pacientes no estado

“A situação dos pacientes é grave. 50 internados, 12 entubados aguardando transferência urgente para UTI. Se não houver transferência esses pacientes podem morrer. O município tem um limite de comprometimento e atendimento. Nós temos respiradores e conseguimos estabilizar o paciente, mas ele precisa de um suporte maior. Um paciente entubado possivelmente precisa fazer hemodiálise e nós não temos esse procedimento dentro do município. É de alta complexidade”, afirma.

Na noite desta terça-feira, 9, a UPA Akira Tada tinha 48 pacientes internados, sendo 37 em enfermaria. 11 em leitos de emergência, dos quais 10 estão entubados. A boa notícia é que 4 pacientes tiveram alta e não houve nenhum óbito. Além disso, 6 pacientes foram transferidos pelo CROSS e 18 pacientes seguem aguardando vagas.

Thamires May disse que as vagas para Taboão são negadas sob a alegação de que não há vagas. A secretária adjunta declarou que após a exposição das mortes na imprensa a cidade recebeu 4 vagas de transferência nesta terça. Ela chegou a apresentar documentos que comprovariam a negativa de vagas.
“Eles respondem ao pedido de vagas no sistema assim: plano de contingência ativado. Superlotação de leitos e negam e vaga”, afirmou.
O governo do estado negou que haja recusa de vagas para Taboão. Em nota enviada ao Jornal na Net o estado garantiu ser “errada a informação de que a CROSS negou vagas para Taboão da Serra. De acordo com a nota desde 3 de março, houve 144 regulações de diversos perfis de pacientes, incluindo 14 suspeitos ou confirmados de COVID-19. Portanto, a Cross mantém o auxílio em todos esses dias”, afirma a nota.

A secretaria estadual de Saúde esclarece que “o papel da Central [do Cross] não é criar leitos, mas sim auxiliar na identificação de uma vaga no serviço mais próximo do paciente e apto a cuidar de seu caso”.

O responsável pela Vigilância Epidemiológica de Taboão da Serra, Milton Parron, apresentou dados atualizados da covid-19 no município, que até o momento tem 422 óbitos e 12.225 casos registrados. A UPA Dr. Akira Tada tem 52 pessoas internadas, sendo que a capacidade é de 40 leitos. Ele confirmou que a cidade teve 11 óbitos por falta de vagas em UTI e apresentou o perfil de 7 deles.

“Nós não tivemos nenhuma vaga de transferência de Covid desde o dia 3 de março. Dia 5 deram uma vaga a um paciente infartado, mas de Covid não tivemos nenhuma”, disse.

Taboão não terá lockdown
O secretário de Governo, Mário de Freitas, descartou a possibilidade de fechar completamente o município, decretando lockdown, como aconteceu em outras cidades que enfrentaram problemas semelhantes. Ele atribuiu a decisão à proximidade com a capital paulista e ao fato de muitos moradores de Taboão trabalharem fora da cidade. O secretário contou que a fiscalização de posturas do município está nas ruas orientando comerciantes e fazendo um trabalho educativo, antes de notificar e autuar.

“Fazer Lockdown é muito temeroso. Boa parte da população trabalha fora. O que a gente precisa é de auxílio do governo do Estado. Estamos pedindo audiência com o governador. Não recebemos nenhum contato do governo”, contou.

Transferências
Taboão da Serra conseguiu a transferência de 6 pacientes ontem, sendo 4 pela manhã e 2 à noite.
Dos pacientes transferidos: 4 foram para o Hospital das Clínicas, 1 para o Hospital Regional Sul e 1 para o Hospital Cruzeiro do Sul.

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