Família de rapaz encontrado morto diz que houve disparos em abordagem da GCM de Itapecerica

Por Redação | 27/05/2020

Atualização da matéria dia 29 de maio, às 13h57

A família de um rapaz de 22 anos encontrado morto na última segunda-feira, dia 11, procurou a reportagem do Jornal Na Net para contestar a informação de que não houve disparos em uma abordagem de desmanche de carro da GCM de Itapecerica da Serra. O jovem assassinado foi chamado por dois rapazes para tirar peça do veículo que estava em uma área de mata do bairro Itaquaciara, em um local conhecido como pista, mas, segundo os familiares, ele não sabia que o carro era roubado. 

O jovem, que mora no São Marcos, foi morto a tiros no domingo, dia 10, enquanto estava no local de retirada das peças e foi encontrado pelo próprio pai somente no dia seguinte após duas ligações anônimas. A Polícia Civil foi comunicada pela família e começou a investigar o caso.

A Guarda Civil Municipal esteve no local no dia da morte do rapaz e apreendeu o carro, mas um dos guardas envolvidos na ação negou para o tio da vítima, que também é GCM, que houve disparos feitos pela corporação. A declaraçao foi dada no pátio da delegacia, no domingo, 10, quando o corpo ainda não tinha sido localizado. O parente do rapaz tinha ido até a unidade policial para checar se havia algum registro localização de cadáver e encontrou o colega de trabalho.

A família, porém, contesta e disse que pelo menos 12 tiros foram ouvidos por testemunhas no momento da abordagem.  O pai, consternado com a perda, ainda levanta suspeitas sobre o envolvimento da corporação na morte do filho, que, segundo relatou, após ser baleado, foi abandonado na mata para morrer. A família também sustenta que, mesmo não estando em situação evidente de risco à vida, os agentes podem ter atirado. 

Em conversa pelo telefone com a reportagem, o pai do jovem disse que não apoia o filho caso realmente estivesse fazendo algo contra a lei no momento da ocorrência, mas que respondesse preso, não morto. Ele chegou ainda afirmar que em um dos depoimentos, os GCMs confessaram que houve apenas dois disparos, mas para o alto, o que também é contrariado pelos parentes. 

Ainda de acordo com os familiares, a polícia não descarta a participação da GCM e vem colhendo nos últimos dias uma série de depoimentos. As armas do guardas também foram apreendidas para passarem por exame de balística. 

A Polícia Civil foi procurada  e informou que o caso é “investigado por meio de inquérito policial instaurado pela Delegacia de Itapecerica da Serra” e que  “a unidade realiza a oitiva de todas as partes envolvidas na ocorrência e diligências para esclarecer os fatos”.

A prefeitura municipal também foi procurada pela reportagem para se posicionar sobre a investigação do possível envolvimento dos GCMs. A corrgedoria respondeu que o caso está sendo investigado pela Polícia Civil e que os dois guardas envolvidos no caso foram afastados de suas funcões e uma sindicância foi instaurada para ajudar a esclarecer os fatos.

 

 

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