Patrulha Guardiã Maria da Penha completa um ano de atuação no combate a crimes de violência contra a mulher em Taboão

Por Gabriela Pereira - Especial para o Jornal na Net | 3/07/2019

A Patrulha Guardiã Maria da Penha, da Guarda Civil Municipal, completa nesta quarta-feira, dia 3, um ano de atuação no auxílio ao combate a crimes de violência contra a mulher em Taboão da Serra. O aniversário é comemorado pelos integrantes da GCM com números que mostram a efetividade e importância do trabalho realizado.  Até agora, 260 casos foram atendidos e resultaram na prisão em flagrante de 27 autores.

A Patrulha é composta por duas equipes, A e C, com três integrantes cada, que tem o objetivo de literalmente guardar a Lei Maria da Penha. Os agentes realizam visitas frequentes às vítimas que passaram por uma situação de violência para verificar se as medidas protetivas expedidas pela Justiça estão sendo cumpridas. A guarda, junto com as redes de proteção que Taboão possui, conseguiu evitar que nenhuma mulher fosse vítima de feminicídio no ano de atuação.   

“A patrulha é de suma importância na vida dessas mulheres que são vítimas de violência [...] o trabalho da guarda é de dar proteção e força à vítima, auxiliando no cumprimento das medidas protetivas que, caso sejam desrespeitadas, levam à punição do autor”, afirma Renata Ferreira, coordenadora dos Guardiões.

Os dados de atuação da Patrulha ainda revelam que a média de idade das vítimas atendida vai de 21 a 40 anos. Entre os principais agressores, aparecem os maridos, os namorados e até mesmo os próprios pais. Algumas delas ainda enfrentam o grande problema da dependência financeira, que na maioria das vezes as fazem manter o vínculo com o autor. Em Taboão, essa é a realidade de pelo menos 23 mulheres atendidas. Outras 20, apesar de alegarem não depender, aparentam o contrário.

Outro problema enfrentado é a luta contra o silêncio. Segundo a doutora Sueli Amoedo, que está à frente da Coordenadoria dos Diretos da Mulher de Taboão, “algumas mulheres chegam com esse medo de denunciar". Ela ainda ressalta fazer muitos atendimentos de casos que nem sequer foram denunciados às autoridades policiais.

"Nós as colocamos em acompanhamento terapêutico e com o tempo elas vão amadurecendo a ideia de fazer a denúncia, vão entendendo que é importante para a preservação da vida delas", afirma também a coordenadora. Os atendimentos são sigilosos e a identidade da vítima é preservada.

A Coordenadoria, que vem tendo papel destaque na efetivação de políticas públicas que visam coibir os crimes contra a mulher, também conta com o apoio da Guarda, que ainda de acordo com a Dra. Sueli, é “essencial”. “A Coordenadoria pode contar a qualquer momento com o apoio operacional da guarda, seja num atendimento simples de visitas, seja em atendimento complexo que envolva abrigamento”, explicou.

Ela ainda lembrou uma ocorrência em que a rápida atuação da Patrulha foi crucial para evitar uma tragédia. Uma das atendidas solicitou acolhimento da Coordenadoria, pois constantemente recebia mensagens de ameaças, com fotos de arma e duas munições em que o agressor dizia: “é uma bala para mim e outra para você”.

“Ela vivia em pânico. Não podia sair de casa que ele mandava mensagens a questionando onde estava e com quem estava”, disse. Quando a equipe chegou no dia marcado para pegar a vítima e a família, o homem já estava rondando a casa. A Guarda foi acionada e o prendeu com uma arma branca. Ele ainda estava com um revólver que jogou na mata, mas não foi encontrado.

Renata também recorda de outro caso emblemático em que a vítima e os filhos tiveram que sair do país para preservarem as próprias vidas. “A gente, juntamente com o Ministério Público, ajudas ela a fazer todos os trâmites para ir morar no exterior”, afirma. O homem já tinha sido preso, mas a vítima tinha certeza que o agressor tentaria matá-la quando saísse da cadeia.

Além da Patrulha, a cidade dispõe de uma rede de proteção à mulher exemplar, que possui várias outras ações no combate a crimes de violência contra a mulher, como a notificação de violência simplificada, que determina que as unidades de saúde encaminhem os casos de violência doméstica atendidos à Coordenadoria, e outros dois programas que visão diminuir a reincidência do crime, o “Tempo de Despertar”  e o “Homem, Sim, Consciente Também”. Ambos fazem encontros com homens já denunciados ou que apresentam traços de agressividade.

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