Com recorde de público, 5º Encontro de Autismo leva milhares ao Cemur para aprender na prática sobre inclusão

Por Gabriela Pereira - Especial para o Jornal na Net | 7/04/2019

Milhares de pessoas lotaram o Cemur na manhã do último sábado, dia 06, para aprender um pouco mais sobre o autismo e discutir políticas públicas de inclusão no 5º Encontro de Autismo em Taboão da Serra. O evento, que já é tradição na região e bateu recorde de público, este ano teve um diferencial, a ampla participação dos autistas, que subiram ao palco e realizaram apresentações musicais e palestras.

“Quando eu venho em um encontro como esse, eu mesmo aprendo, as pessoas aprendem e essa é a nossa intenção. Nós começamos pedindo aos amigos que viessem com medo de ficar vazio e hoje o evento tem essa magnitude. Foram 1400 pessoas que se inscreveram, um sucesso de público”, comemorou Ronaldo Onishi, idealizador do encontro. O vereador é autor da Lei 2195/2014, que criou a Semana de Conscientização sobre o Autismo no munícipio, da qual faz parte o encontro.

Os protagonistas foram os portadores de autismo, como a palestrante Fernanda Brito, aluna da USP que participou pela primeira vez de um evento sobre o tema. Ela contou um pouco de sua história de vida e explicou alguns pontos importantes. “O autismo faz com que a gente sinta os cinco sentidos mais forte do que em vocês. Em cada autista vai ser um dos sentidos, ou a combinação de dois ou até mesmo todos”, explicou. Por isso, para evitar barulho, durante toda a programação, as palmas foram inclusivas. 

“A gente está em um determinado momento que o importante é ter e fazer alarde de que certas coisas existem, como no caso do autismo. Hoje em dia as pessoas estão chamando de visibilidade este tipo de coisa e realmente ela é bastante importante porque fica mais fácil de você lidar com aquilo que é diferente”, ressaltou ainda Fernanda ao falar sobre importância do encontro em Taboão.

A explicação da aluna de biblioteconomia foi esclarecedora para o público. “Já tive alunos com autismo e não sabia o porquê eles tapavam o ouvido. Agora, descobri que é por causa do barulho”, disse a pedagoga Andressa, que veio de São Paulo e dá aula no Instituto Vargas. Já Camila afirmou acreditar que para a educação é “importante aprender sobre o autismo porque é algo que vai ser muito trabalhado em sala de aula”. Ela também é da capital e dá aula para crianças na escola José Brotas Júnior.

As apresentações musicais no encontro foram todas inclusivas. A cantora autista e deficiente visual Vitória Lynn emocionou a todos ao cantar o hino do autista. Giovanna Lima, também autista, subiu ao palco e com uma alegria contagiante se apresentou. Já o cantor autista Vinicius Faust fez a plateia dançar com seu teclado. Em um show divertido, ele tocou e cantou as principais músicas das bandas brasileiras de forró.

Além de toda a aula prática sobre inclusão, também foi anunciado a criação da Associação Meu Anjo Azul, que trará acolhimento para as mães e para os autistas da cidade. A ONG foi idealizada por Patrícia, Magda e Zuleica, mães militantes da causa que ajudaram na organização do encontro. “Eu sou uma das mães que torcia muito para que esse evento acontecesse porque as pessoas precisam saber de fato sobre o autismo”, contou Patrícia, que foi homenageada pelo vereador Onishi.

Desde que começou a acontecer na região, o encontro tem interligado diversas secretarias  municipais, como a de Saúde, a de Educação, a de Esporte e a de Cultura, que trabalham juntas para criar e implementar políticas públicas de inclusão e dar visibilidade  a causa no município, que hoje atende mais de 130 autista em toda a cidade.

O secretário de Educação, João Medeiros, falou sobre os desafios da educação inclusiva, que foi aos poucos implantada em Taboão “com muita dificuldade”. Hoje, porém, Medeiros ressalta que “o trabalho avançou bastante e é produto de uma luta de mais de 20 anos de muitos educadores”.

Além de inserir autistas nas escolas da rede, o secretário também apresentou mais uma conquista na educação municipal, o Projeto Prosseguir, que cria um histórico de aprendizagem do aluno autista para evitar atrasos quando ele mudar de fase. “Esse projeto a Deputada Analice Fernandes está tentando implementar em todo o Estado”, ressaltou.

Outro fruto dos Encontros de Autismo na cidade sao as atividades esportivas que os autistas estão fazendo todos sabados no Centro de Iniciação de Esportes, no Parque Monte Alegre. A iniciativa e da  Secretaria de Esportes, em parceria com o Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi).

Já Raquel Zaicaner, secretária da Saúde, contou que foi questionada pelo neto de quatro anos sobre o que era autismo. “Eu tentei explicar algumas dificuldades que os autistas têm com o mundo externo, com as pessoas. Ele virou para mim e disse ‘sabe, eu também tenho muitas dificuldades. Eu tenho problema na minha garganta e no meu nariz. Você também tem dificuldades, então, eu acho que somos todos autistas”. “Ao invés de eu explicar para ele o que é autismo, ele me explicou o que é uma sociedade inclusiva”, finalizou Raquel.

 

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