Denúncia de violência contra a mulher cresce 25% em 2018; Coordenadoria da Mulher de Taboão registrou 350 novos casos

Por Gabriela Pereira - Especial para o Jornal na Net | 18/01/2019

O ano de 2018 registrou aumento de 25% nas denúncias de violência contra a mulher. Os dados são da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, que recebeu no ano passado mais de 92 mil ligações. Em Taboão da Serra, apesar de a cidade apresentar amplas políticas públicas para coibir este tipo de crime, os números também causam preocupação.

A Coordenadoria dos Direitos da Mulher da cidade registrou 350 novos casos no ano passado. O órgão municipal, responsável por prestar apoio psicológico, social e jurídico a mulheres que sofreram algum tipo de violência, ainda realizou só em 2018 cerca de 2.400 atendimentos.

Apesar de já serem altos, os números, no entanto, podem não representar a total realidade de violência contra a mulher em Taboão, pois além das denúncias, a cidade também tem que lutar contra outro problema: o silêncio. "Nós passamos por esse problema na coordenadoria também, algumas delas chegam com esse medo de denunciar", explica a dra. Sueli Amoedo, coordenadora do órgão, que ressalta ainda fazer muitos atendimentos de casos que nem sequer foram denunciados às autoridades policiais.

"Nós as colocamos em acompanhamento terapêutico e com o tempo elas vão amadurecendo a ideia de fazer a denúncia, vão entendendo que é importante para a preservaçaõ da vida delas", afirma também a coordenadora. Ela ainda ressalta que "os atendimentos são sigilosos e que a identidade das vítimas são preservadas, por isso, elas não precisam ter esse medo de fazer a denúncia".

A Coordenadoria também usa de diversos instrumentos legais que a cidade dispõe para ajudar a combater este tipo de crime. Um deles é a notificação de violência simplificada, que determina que as unidades de saúde encaminhem os casos de violência contra a mulher atendidos para a Coordenadoria.

"As mulheres que passam por atendimento nas UBSs e nos PSs em situação de violência, eles acabam encaminhando para a gente após a ida deleas para a casa, ai nós entramos em contato e as convidados a comparecer na Coordenadoria", explica ainda Sueli.

A demanda, no entanto, também chega das delegacias, do núcleo de violência, da Promotoria de Justiça, do Cras e Crea, além da Patrulha Guardiã da Lei Maria da Penha, da Guarda Civil Municipal, que foi criada em julho do ano passado com um projeto inédito para ajudar a coibir a agressão contra mulheres.

A patrulha é composta por duas equipes com três integrantes cada, que realizam visitas às vítimas para verificar se as medidas protetivas expedidas pela Justiça estão sendo cumpridas.

"Nós temos um convênio com o Ministério Público e trabalhamos também com a DDM de Taboão e a Coordenadoria da Mulher, e assim que a medida chega para a gente, nós vamos fazer visita a essa vítima e perguntamos se ela quer fazer parte do projeto. Fazendo parte, ela recebe rondas e visitas praticamente todos os dias no trabalho, se for dentro do município, ou na residência", explica a coordenadora da Patrulha, Renata Ferreira.

Se a medida estiver sendo descumprida, a GCM orienta a vítima a realizar um boletim informando as autoridades. É por meio dele que a Justiça pode pedir o mandado de prisão do agressor, sendo que, se expedido, a guarda é notificada e pode detê-lo caso o encontre. A prisão também pode ser feita pela Patrulha em caso de descumprimento da medida em flagrante.

Mesmo com pouco tempo de atuação, a Patrulha chegou a atender o ano passado cerca de 127 vítimas. E neste ano, os trabalhos começaram com 40 casos ativos. "Nós já tivemos bastante resultados nos casos", ressalta Renata, infomando ainda que nos seis primeiros meses de 2018, foram efetuadas em "média 14 prisões" pela GCM. Neste ano, já são dois mandados de prisão a serem cumpridos.

"Tempo de Despertar" e "Homem Sim, Consciente Também"

A Coordenadoria dos Direitos da Mulher também possui outros dois projetos que visam diminuir a reincidência do crime. O primeiro deles é o "Tempo de Depestar", criado em 2015. Nele, são realizados cerca de 8 encontros com agressores já denunciados, com duração de duas horas e meia cada.

Já o "Homem Sim, Consciente Também", lançado em 2017, é relizado pela Coordenadoria junto com a Polícia Civil e trata de homens que ainda não foram denunciados, mas que apresentam traços de agresividade. O programa também segue os moldes do "Tempo de Despetar", com 8 encontros de duas horas e meia de duração cada.

"Nós falamos nesses projetos sobre a violência contra a mulher, a desconstrução do machismo, a diversidade sexual, os direitos humanos. E temos muito êxito nisso. O índice de reincidência com as iniciativas é de apenas 2%", afirma a dra. Sueli. "São dois projetos que temos que continuar tocando e incentivando políticas públicas para as mulheres", finalizou.

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