Moradores presos por furto de luz no Jd. Record denunciam descaso da Eletropaulo aos vereadores

Por Sandra Pereira | 29/08/2018

A AES Eletropaulo literalmente mandou para a cadeia pelo menos 11 moradores da rua Jorge Rodrigues Pascoaline, no loteamento Ponte Alta, no jardim Record, em Taboão da Serra, por furto de eletricidade. Os moradores presos ficaram detidos 24 horas, saíram mediante pagamento de fiança e vão responder pelo crime de furto. A área está em processo de regularização há quase 10 anos. O Ministério Público participou do processo de regularização junto com a prefeitura, ambos solicitaram que a Sabesp e a Eletropaulo fizessem a ligação de água e luz no bairro e iniciassem a cobrança das contas. Um grupo de moradores foi na Câmara denunciar as prisões e pedir ajuda dos vereadores.

O vereador Carlinhos do Leme tratou do problema que levou 11 moradores à prisão. Carlinhos demonstrou indignação e apresentou requerimento cobrando explicações à AES Eletropaulo e criticou a ação da empresa contra os moradores.

Já o vereador Cido da Yafarma, presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara literalmente abriu fogo contra a empresa. Ele convocou uma audiência pública para discutir o tema. Acusou a Eletropaulo de desrespeitar diretamente a população de Taboão e propôs uma força tarefa para agir contra os desmandos da empresa na cidade.

"Entendo que a prisão deve ser o último recurso. Pessoas de bem, até mesmo senhoras foram presas, gente que nunca passaria na porta de uma cadeia, sendo penalizada pela ligação que ainda não foi regularizada. A Eletropaulo tem que regularizar e cobrar e não mandar prender", afirmou Cido.

O vereador Dr. Ronaldo Onishi saiu em defesa dos moradores, disse que a empresa é competente para cobrar e cortar o fornecimento. Ele reclamou dos valores das contas altas. Marcos Paulo também criticou as cobranças abusivas.


“Fui preso por furto de energia, mas a Eletropaulo não instala os medidores de cobrança. Nunca pensei em ser preso na minha vida e agora passei por essa humilhação. Fui preso e tive que pagar R$ 314,00 de fiança. Foi muito constrangedor. Assinei 155”, disse Ronaldo Sousa, dono de um lava-rápido na rua.

Os moradores afirmam que as prisões por furto na rua estão mudando a rotina. Eles dizem que o medo de ser preso é recorrente.

“Quando você vê uma viatura passando o coração dispara. Me senti humilhado como jamais fui na vida. Se eu tivesse medidor de luz e fizesse gato seria furto, mas eu nem tenho medidor. A Eletropaulo não instalou. A prefeitura já levou nossos nomes e documentos para instalar os medidores mas a empresa não fez isso, não mandou conta e ainda prendeu a gente”, contou quase sem acreditar seu José Amaro.

Ninguém sabe contar ao certo quantas casas da rua Jorge Rodrigues Pascoaline ainda não tiveram a luz regularizada. A maioria dos que foram detidos dividiu a casa onde vive para montar um pequeno comércio na parte da frente.

“A Eletropaulo está prendendo quem tem comércio. Eu tenho um balcão que vendo peixe. Não tenho emprego, a peixaria é pra pagar minhas contas. A gente trabalha para não fazer nada errado e acaba sendo preso. Onde já se viu isso?”, questiona dona Maria Tavares da Conceição.

 

Veja a nota enviada pela Polícia Civil referente à reportagem

Com referência a matéria sobre as ações policiais civis no município de Taboão sobre as ligações clandestinas "gatos",  esclarecemos que nossas ações estão amparadas no Protocolado 172/2017 que se originou por requisição da Eletropaulo à estrutura superior da Polícia Civil. E com referência à permanência de munícipes por 24 horas na DP essa informação é descabida, pois a feitura/registro de ocorrências nesse sentido não passa de uma hora e ainda quanto à tipificação penal em que os infratores são enquadrados existe o crime previsto no artigo 155 parágrafo 3. (Furto de energia).O valor correto das finanças criminais é de R$ 314,85 ... Ou seja 2/3 do salário mínimo nacional. 

 

 

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