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Abidan escreve todas as primeiras segundas-feiras de todo o mês sobre educação.

Bullying: polêmica do Mc Gui e um problema da educação

Há duas semanas, veio à tona nas redes sociais uma situação de bullying protagonizado pelo Mc Gui numa viagem que ele fez aos EUA. Na ocasião, o Mc, que é um ídolo teen do funk, fazia piada a respeito da aparência de uma criança nos stories do seu instagram. Este caso levantou o debate sobre o bullying que é um problema que atinge milhões de alunos no Brasil. 

Segundo a Pesquisa Internacional de Ensino e Aprendizagem de 2018, cerca de 23% dos alunos do ensino médio de escolas públicas sofrem bullying no Brasil. No ensino fundamental, esse número chega a 35%. Além disso, segundo uma pesquisa da OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o Brasil é o quarto país do mundo que mais comete bullying. Mas o que pode ser considerado bullying de fato? Quais são as estratégias usadas para preveni-lo? E combatê-lo?

O bullying é uma palavra que vem do inglês “bully”, que significa “agressor” ou “brigão”. Enquanto conceito, o bullying é a prática de ações ou comportamentos agressivos de maneira repetitiva, sejam eles verbais ou físicos, que um aluno faz em relação a um colega. Dessa forma, uma briga pontual não é bullying. Uma atitude inadequada do aluno com o professor ou pais não é bullying. O bullying tem um caráter repetitivo e acontece sempre em relação a um par, ou seja, aluno para aluno. 

A melhor estratégia para evitar o bullying é a prevenção. Criar um ambiente na escola que não seja propenso a esse tipo de ação. Dessa forma, a Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia) sugere algumas práticas para professores e gestores escolares. Primeiro, ter uma relação próxima do aluno, ouvindo suas reclamações ou sugestões sobre o ambiente escolar. Segundo, criar em conjunto com os alunos regras de convivência para que todos estejam de acordo com o que pode ou não pode fazer na escola. Terceiro, estimular os alunos a informarem casos de bullying que acontecem com eles ou seus colegas.  

É claro que nem sempre é possível prevenir todo o tipo de conflito entre alunos. O bullying em maior ou menor medida acontece. Portanto, é importante saber proceder quando um caso é detectado. A primeira ação essencial quando um professor ou gestor escolar presenciar um caso de bullying é a intervenção imediata, pois se houver conivência com essa ação ela irá continuar. Depois, é importante conversar com os alunos envolvidos  no conflito. Não só os protagonistas, mas como os espectadores que às vezes incentivam a tal prática.  

Por fim, quero ressaltar que o bullying precisa ser encarado como um problema sério da educação. Muitas vezes achamos que os insultos são apenas brincadeiras ou que é apenas frescura de quem reclama dos ataques. No entanto, o bullying tem consequências graves para os alunos. A primeira imediata é o silêncio. Segundo a Abrapia, 41,6% dos alunos que sofrem com bullying não contam para ninguém. A segunda é o medo e vergonha de ir para a escola, que gera grandes números de faltas e a possível evasão escolar. 

Acredito que a ação do MC Gui foi muito infeliz e trouxe à tona o debate sobre essa prática violenta. Muitos alunos têm sofrido ou praticam o bullying. Nós educadores ou profissionais da educação precisamos estar atentos aos indícios desse problema dentro das nossas escolas. A prevenção deve ser construída de forma conjunta com os alunos e devemos sempre manter um canal aberto com eles. Também precisamos estar prontos para agirmos imediatamente quando presenciamos atos de bullying.

 

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