Educando nossos jovens

Abidan escreve todas as primeiras segundas-feiras de todo o mês sobre educação.

Até as escolas estão sendo roubadas, e agora?

Quem nunca teve sua escola roubada? Quem é ou foi aluno de escola pública já passou por isso pelo menos uma vez na vida. Triste, né? Chegar na escola cedo e cadê os computadores? Já tem poucos e levam os que têm.

No dia 2 de outubro aconteceu outro caso: 16 computadores, uma TV, um projetor e um notebook foram roubados na Escola Estadual Jardim Magali, em Embu das Artes. As aulas daquele dia foram suspensas e a escola entrou com um boletim de ocorrência. A polícia fez a perícia do local e investiga o caso. Nesse momento, todos ficamos indignados e surge o debate: como podemos deixar nossas escolas mais seguras?

Antes de falar de soluções, queria ressaltar uma coisa. No calor da revolta é muito fácil cairmos em soluções óbvias e fáceis. É muito fácil falar “vamos colocar câmeras, grades e cadeados nas escolas”. Muitas escolas têm adotado apenas esse método para lidar com questões de furtos, vandalismo, violência e não tem obtido resultados bons. No fim, as escolas parecem verdadeiros presídios, alunos e funcionários têm uma falsa sensação de segurança e os verdadeiros problemas não estão sendo atacados. Esse tipo de solução é importante, mas precisa ser usada com cuidado e ser acompanhadas de outras ações. Vamos a elas.

Primeiro, precisamos criar espaços para falar sobre segurança na escola. Precisamos juntar todas as entidades e pessoas do bairro que podem nos ajudar a resolver esse problema: diretores, professores, pais, polícia, assistentes sociais e outras pessoas que podem estar envolvidas. Segundo o jornalista Gustavo Heidrich, da revista “Nova Escola”, é preciso criar um fórum de discussão da segurança da escola, com reuniões periódicas para que todas essas pessoas possam discutir e propor ações educativas e de infraestrutura.

Além de criar esse fórum de discussão institucional, eu acredito que quando a escola consegue interagir com a comunidade e não ser apenas um lugar que o aluno vai estudar, ela cria um sentimento de pertencimento na população que, ao invés de vandalizar a escola, vai cuidar dela. O artigo “Iniciativas Públicas de Redução de Violência Escolar no Brasil”, da professora Marília Pontes Sposito da Faculdade de Educação da USP é um pouco antigo, mas traz exemplos de políticas públicas de escola aberta, parecidas com a “Escola da Família”, que conseguiram ajudar escolas a reduzirem a violência e vandalismo. Um ponto importante que ela ressalta é que esses programas deram certo quando estiveram alinhados com o projeto pedagógico das escolas e fizeram parcerias com coletivos e ONGs de cada bairro.

Uma terceira ação que considero fundamental é a formação e a valorização do profissional de vigilância da escola. Lembro que quando estudei na E.M do Bairro do Caputera, os dois vigias da escola eram ex-alunos e moradores do bairro. Dessa forma, ambos tinham uma excelente relação com os alunos e pais. A revista “Nova Escola” fez um artigo que ressalta a importância pedagógica desse profissional, pois além de prover a segurança da escola, ele é a primeira pessoa que lida com o aluno e com a comunidade.

Em resumo, esse problema de vandalismo, furto e violência acontece em muitas escolas da nossa região. No Magali tivemos mais um exemplo. Acredito que temos que mesclar ações de infraestrutura como melhorar a iluminação do entorno da escola ou colocar câmeras em locais estratégicos (não nas salas de aula) com ações de cunho social e engajamento da população local.

 

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