Brasil perde 400 mil vidas para a covid-19

Por Natália Bassi | 29/04/2021

Após tristes dias e o aumento da média diária de mortes em decorrência do coronavírus, o Brasil atingiu a marca de 400 mil vidas perdidas desde o início da pandemia nesta quinta-feira, 29.

Os dados, assustadores, mostram a aceleração das infecções no país e, principalmente, como o cenário ainda é de extrema preocupação. Além disso, a inação de autoridades no combate ao vírus é um dos questionamentos que pairam na cabeça de milhares de brasileiros que viram seus amores indo embora, sufocando sem ar nos pulmões até os últimos minutos de vida em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) lotadas. Muitos não tiveram, ao menos, a chance de um tratamento digno antes de partirem.

O ritmo das mortes em 2021 assustam e trazem indignação. Entre março e abril, foram 100 mil mortes registradas em apenas 36 dias. Isso significa que a cada quatro pessoas internadas com a doença, uma faleceu.

Se 2020 tinha sido um ano ruim, não imaginávamos o que vinha pela frente. O Brasil atingiu 100 mil óbitos, depois de 5 meses (149 dias) da primeira morte confirmada e alcançou 200 mil, 5 meses após. Mas foi necessário somente 76 dias, para o número total chegar a 300 mil e menos 38 dias, para batermos o recorde de 400 mil vidas perdidas.

Abril de 2021 foi o mês mais mortal da pandemia, com mais de 76 mil óbitos em 29 dias. Março, até então o com os piores registros, tinha alcançado 66.868 mortes em 31 dias.

 

Aglomerações e desrespeito aos protocolos

Ainda que o caos esteja instaurado, uma parte significativa da população parece não ligar se os hospitais estão cheios ou se algum ente querido pode se infectar e morrer com a doença. Diariamente são registradas em todo o país aglomerações em festas clandestinas, reuniões entre conhecidos, bares, pancadões e outros tipos de ocasiões em que o desrespeito aos protocolos de segurança são marca registrada. Falta máscara e o distanciamento social, mas principalmente a empatia e o respeito pelo próximo.


Sistema de saúde em colapso

Com a pandemia do coronavírus, muitos reconheceram a importância vital do Sistema Único de Saúde (SUS), mas, infelizmente, nem ele aguentou os trancos que esse período tão duro trouxe. Sistemas de saúde do país inteiro ficaram afogados sem leitos, sofreram com falta de equipamentos necessários para intubação e viram seus profissionais, que fazem o dia a dia acontecer, completamente desgastados emocional e fisicamente.


Politização da pandemia

Enquanto milhares de brasileiros morriam, uma disputa política intensa foi travada no país. Pela falta de ação e coordenação do Governo Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu aos estados e municípios poder de decisão sobre as medidas de combate à covid-19. A orientação trouxe rebuliço no cenário nacional e troca constante de farpas entre os mandatários.


“É só uma gripezinha”?

O presidente Jair Messias Bolsonaro (sem partido) protagonizou diversos episódios passíveis de críticas durante a pandemia. Além de trocar quatro vezes o Ministro da Saúde, o mesmo participou de aglomerações, questionou as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), indicou remédios sem eficácia comprovada, desdenhou e recusou ofertas de vacinas e minimizou a morte de milhares de brasileiros afirmando que era não coveiro. O Brasil ficou mal perante os próprios brasileiros, mas também das mais altas cúpulas mundiais.


CPI da Covid

Após pressão de vários setores brasileiros, o STF entrou em campo e pediu que o congresso abrisse uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apontar os erros no enfrentamento da maior crise sanitária da história brasileira. A CPI parece não ter agradado a base governista, que trava uma luta judicial para retirar o senador Renan Calheiros da relatoria.

Entre os os pontos investigados estarão o desabastecimento de oxigênio em capitais brasileiras, morosidade na vacinação, demora na entrega de kits para intubação, além de desvios de recursos públicos que deveriam ter sido utilizados para conter a pandemia.


Demora na vacinação

A tão aguardada vacina chegou para muitos brasileiros, mas a demora na entrega das doses ainda é algo que preocupa e muito a todos. Menos de 14% da população foi vacinada com a primeira dose e menos de 7% recebeu a segunda dose do imunizante.

Diversas cidades brasileiras tiveram que interromper as campanhas de vacinação por falta de doses e muitas delas sofreram também com o desvio.

Segundo investigação da CPI, o Brasil chegou a recusar 11 ofertas de vacina ainda no ano passado, um dado escabroso que virou notícia e causou revolta.

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