A saga de Matheus: acreditando no poder transformador da educação, adolescente de Itapecerica busca apoio para quitar programa de liderança social

Por Gabriela Pereira - Especial para o Jornal na Net | 7/01/2020

Matheus Hengles tem apenas de 16 anos, mas está há pelo menos quase um ano vivendo uma saga: a de obter apoio para investir em algo que acredita ter um poder transformador , a educação. Morador do Jardim Potuverá, na zona rural de Itapecerica da Serra, ele, com apenas 16 anos, já foi a Stanford, em um curso no qual ganhou bolsa 100%. Agora, o desafio de Matheus é novamente arrecadar fudos e pagar um importante curso internacional de liderança social na América Latina, o Latin American Leadership Academy (LALA).

A história do adolescente começa na casa onde mora com o pai, o mecânico Wagner Hengles, e a mãe, a dona de casa Sônia Lopes, e mais dois irmãos, sendo um deles portador de síndrome de down. Matheus, que tem hoje um interesse peculiar pela educação, principalmente pela área da sociologia e da filosofia, começou a desbravar o mundo desde muito cedo.

"Eu sempre possui muitas dúvidas desde muito jovem. O inconformismo com a realidade veio cedo, busquei na sociologia e filosofia as respostas que procurava. Sempre foi mais uma necessidade entender o que acontece no mundo do que para ser inteligente e ter um "futuro", eu realmente acredito que não precisamos "ser alguém", pois já somos, é muito mais que ter uma profissão, me parece mais entender quem nos somos, e acho que essa foi minha busca, entender quem sou e o que eu posso fazer pra ajudar os outros".

De forma autoditada, Matheus sempre estudou muito sobre a realidade a sua volta usando como referência grandes intelectuais brasileiros, como o sociológo Florestan Fernandes e antropólogo Darcy Ribeiro, autores de obras que tiveram grande impacto na vida do adolescente e fizeram com que seu interesse pelo estudo só continuasse. Sozinho, ele também se aplicou ao inglês e conseguiu obter certa fluência na língua, o que ajudou a abrir portas.

Em março do ano passado, após se inscrever em um programa de Stanford, na Califórnia, EUA, para conseguir bolsa integral em um cuso de férias em sociologia, Matheus foi aprovado. A instituição, no entanto, não pagava o passaporte, o visto e a passagem, e ele teve de se mobilizar na internet para conseguir cerca de 5 mil. E conseguiu. Mas depois voltar para Brasil, a vontade de estudar e se aperfeiçoar.

Agora, Matheus busca apoio financeiro para quitar o programa internacional. Inialmente o programa seria na Costa Rica, depois a organização mudou para o México. No entanto, devido ao vestibular, Matheus teve que fazer o curso em São Paulo.

"Eu consiga deixar mais claro para mim qual impacto eu tenho que na minha comunidade e consigui entender melhor que eu tinha realizar isso. Então, eu estou montando um projeto social que vai trabalhar nas escolas a questão dos preconceitos", explicou ainda Matheu. Ele ainda informou que futuramente a iniciativa pode virar uma ONG.

Para conseguir pagar o restante do valor, Matheus decidiu criar uma rifa na internet de um relógio inteligente . Os interessados em o ajudar podem clicar aqui para acessar o link da rifa. Qualquer valor será bem-vindo. "Eu ganhei uma bolsa de 50%, mas tenho que pagar 700 dólares, o que é equivalente a 2,8 mil reais", afirma o adolescentes.

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