Espetáculo da Escola de Bailado de Taboão terá primeira bailarina negra a interpretar Alice no País das Maravilhas

Por Gabriela Pereira - Especial para o Jornal na Net | 20/11/2019

A Escola de Bailado de Taboão da Serra terá uma marco importante rumo à representatividade. A edição deste ano do espetáculo final terá a primeira bailarina negra a interpretar Alice no País das Maravilhas. A apresentação acontece dia 8 de dezembro, em duas sessões, às 15h e às 19h, no Cemur. 

"Eu fiquei muito feliz ao saber que fui escolhida. Tomei um susto", disse Lívia Eloi, de 14 anos, que vai interpretar o papel principal na sessão das 15h. "Quando a gente fala da Alice, a primeira coisa que pensamos é em uma personagem branca, com olho claro, pele clara, mas aqui conseguimos quebrar esse padrão", explicou a bailarina.

Em nível nacional, é comemorado nesta quarta-feira, dia 20, o Dia da Consciência Negra, duma data simbólica dedicada á memória e reflexão das lutas e conquistas do movimento negro pela igualdade racial. E Lívia, quebrando este paradigma da Alice branca, faz parte desse movimento em prol da resistência e representatividade. 

Para Thiago de Jesus, diretor da Escola de Bailado, a escolha da bailarina para atuar como Alice foi um passo importante. "Elas [as bailarinas] já vinham com essa ideia pronta de 'nossa, eu não posso ser a Alice porque ela é loira, tem o cabelo comprido, como que eu vou fazer?' . Nós tivemos que trabalhar muito isso com elas em sala, de que não é a cor da pele que vai definir o espaço que elas têm que ocupar ", afirmou.

"Com isso, fica muito mais claro para elas que qualquer uma é capaz sim de fazer um personagem, desde que esteja dentro da técnica, que foi o que nós avaliamos. Não tívemos essa predileção pelo esteriótipo da Alice. Isso acaba abrindo mais essa possibilidade, até mesmo para as pequenas", afirma Daine Carmargo, diretora geral do espetáculo.

Outra novidade deste ano é um painel de led pela primeira vez fará parte do cenário, mudando de cena conforme o desenrolar da história. O espetáculo, que já virou tradição na escola, é uma mostra de todo o conteúdo aplicado no ano letivo e terá cerca de 250 bailarinas, sendo 8 delas formandas.

A preparação, ainda segundo Daiana, dura o ano inteiro. "De vargazinho, mês a mês, a gente vai montando tudo. A escolha do figurino, de cenário, de repertório", disse. Este ano, a sessão das 15h será destinada ao público em geral, que terá de chegar com uma hora de antecedência para pegar o ingresso, e a das 19h, aos convidados e familiares dos alunos.

"Ter uma escola de formação é muito importante porque mostra que todos podem fazer, não excluímos nenhum biotipo. Temos 3 mil alunos entre os cursos profissionais e livres", disse Thiago. Segundo ele, a política da escola é estar espalhada, promovendo cultura "nos quatro cantos da cidade". "De um ano para cá, quase triplicamos o número de alunos atendidos", concluiu.

 

 

 

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