A política também pertence às mulheres

Por Artigo Laércio Lopes | 19/10/2017

Falar sobre a violência doméstica em um país que ocupa o quinto lugar no ranking de feminicídio é emergencial. A condição física, psicológica, moral e sexual da mulher brasileira é cotidianamente agredida e pisoteada.

A violência de gênero esboça o quanto uma cultura permeada por ideais sexistas é capaz de perdurar. O machismo que agride e mata mulheres é estrutural e sistêmico. Precisamos calar essa voz que oprime e estagna os avanços no combate a uma realidade cruel e desigual.

Ser homem, apesar de não parecer, me coloca em posição privilegiada. Posso ser vítima da violência, mas jamais a sofrerei pelo meu gênero. No ônibus ou na rua tenho chances de ser furtado, mas não violado. Andar de roupas mais leves em dias quentes não fará com que a sociedade me julgue e me culpe caso seja alvo de um estuprador. Minha capacidade não será indagada no campo de trabalho pela minha condição biológica e, após contratado, não receberei menos que a minha colega mulher que realiza o mesmo serviço.

Minha atuação como Vice Prefeito permitiu que eu enxergasse além. A política, importante meio de representação popular, também compactua com a desigualdade de gênero. Apesar de o eleitorado ser composto em sua grande maioria por mulheres, cerca de 56%, o Brasil aparece em 115º lugar entre 138 países no ranking que mede a participação feminina no parlamento. Estima-se que a igualdade só será alcançada em 2080.

Felizmente a voz das mulheres na política taboanense vem crescendo. Pela primeira vez na história do município uma mulher ocupa o posto de presidente na casa de leis. A nossa Câmara Municipal têm 30% das cadeiras preenchidas por mulheres enquanto a média nacional não supera os 10%. A representatividade aumentou e, consequentemente, os avanços no enfrentamento a todos os males que o machismo causa também.  

Já na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP),  temos a frente da Vice Presidência a deputada estadual Analice Fernandes. Figura participativa na política taboanense, Analice concentra esforço e dedicação em projetos de leis que combatem a violência de gênero. Graças a uma lei de sua autoria hoje é possível quantificar os crimes contra à mulher em todo o Estado por meio de dados disponibilizados no site da Secretaria de Segurança Pública. As informações certeiras possibilitam ampliar a discussão na sociedade e projetar políticas públicas de sucesso.

Como homem na esfera político-administrativa sinto o dever de lutar por um futuro menos desigual e menos violento para nossas mulheres. O desenvolvimento social do nosso país depende da participação ativa de todos os grupos de forma proporcional.

Conquistar a igualdade na política entre os sexos somente daqui 63 anos é vexatório. Se a democracia representa o todo, porque não encontramos a universalidade no executivo, legislativo e judiciário? Precisamos dar mais velocidade aos nossos passos e nos colocarmos à frente dos desafios que nos impedem de avançar.

 

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