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MST apresenta propostas para o Plano Diretor e encerra impasse em Taboão

Por Sandra Pereira | 30/06/2014

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Sandra PereiraIntegrantes do movimento lotaram Câmara Municipal

Diferente do que aconteceu na primeira audiência pública para discutir as alterações previstas no Plano Diretor de Taboão da Serra – relembre aqui –  a proposta foi apresentada em clima pacífico, sem polêmicas e de forma didática na audiência realizada neste domingo, 28, pela Câmara Municipal. Ao que tudo indica o Legislativo conseguiu pôr fim ao impasse entre o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e a prefeitura. A “paz” entre o MST a administração foi selada a partir da alteração de algumas propostas do Plano Diretor. O presidente da Câmara, Eduardo Nóbrega, responsável pela abertura de diálogo com o MST, garantiu que o prefeito Fernando Fernandes vai acatar as propostas feitas pelo movimento. O líder do sem terra, ex-vereador Paulo Félix, avaliou que a audiência pública da Câmara cumpriu seu papel e antecipou que se as alterações solicitadas forem aprovadas o movimento não entrará na Justiça contra o Plano Diretor, que deverá ser votado essa semana. Veja fotos aqui.

O MST quer a permanência do terreno conhecido como Paulo Colombo, no jardim Helena, como área de Zona Especial de Interesse Social (Zeis). A compensação da Zeis do terreno situado entre a Kizaemon Takeuti e a Benedito Cesário, que passará a ser Zona Mista, por uma área de 20 mil metros quadrados no Parque Laguna. A garantia de discussão futura da chamada da área do japonês, um terreno grande onde o proprietário planta alface, no bairro do São Judas. Além da transformação em Zeis uma área de Zona Industrial no  Salete. 

A audiência pública revelou que na prática as mudanças no Plano Diretor vão ampliar de 435 mil metros quadrados para 680 mil metros quadrados as áreas de Zeis na cidade. Uma vez que não houve confusão cada uma das 19 propostas de mudança foram apresentadas e explicadas aos participantes.

Como que matando saudades da tribuna onde estava habituado a discursos que sempre ecoavam junto ao público, Paulo Félix falou para os integrantes do MST e aos vereadores presentes que é necessário conciliar o desenvolvimento da cidade com a permanência do povo no local onde vive e trabalha. Citando Martin Luter King, e seu famoso “I have a dream”, disse  que o sonho dos trabalhadores presentes é conquistar sua casa própria e pagar por ela preço justo. 

“Nosso compromisso é discutir o Paulo Colombo depois. Quem sabe podemos ter lá metade moradia popular e metade parque. O terreno de 5 mil metros da Kizaemon a gente compensa com 20 mil metros no Laguna que é o lugar onde a cidade tem pra crescer. No Salete aquela área industrial muda para Zeis. Se tudo isso for possível teremos vivido aqui hoje um momento histórico”, afirmou.

A advogada Júlia Colet pediu preocupação com a preservação ambiental na cidade. Ela destacou que é preciso cobrar responsabilidade dos proprietários de cada área para assegurar a preservação. 

Para o presidente da Câmara de Taboão da Serra, Eduardo Nóbrega, a audiência cumpriu seu papel. Ele avaliou que o momento foi histórico e defendeu o diálogo com o MST. O presidente se comprometeu a trabalhar para que as propostas do movimento sejam aprovadas na Casa.

“Não há outro meio de se fazer uma sociedade. Não dialogar ficou na época da ditadura. É lá que o exército ia pra rua e impedia que a população debatesse com seus representantes. Pelo menos um pouco estamos alterando. Na Câmara de Taboão o MST tem vez e voz e só não digo voto formalmente porque não pode apertar o botão, mas tem voto através dos vereadores.Aquilo que chegamos a um consenso será aprovado pelo voto na próxima sessão”, afirmou o presidente. “Sou vereador da base. Sou situação. Pedimos voto para o prefeito e o movimento trabalhou muito. Não vou cometer estelionato eleitoral. Disse que o melhor era esse e agora temos que brigar para que o melhor aconteça. Defendo o que é bom e o que é ruim o prefeito tem que ser sensível, ouvir essa casa e alterar”, completou, criticando o uso de gás de pimenta na audiência anterior.

Entre os integrantes do MST o clima durante a audiência era de alívio. Quem esteve na primeira discussão disse que ainda lembra da confusão e correria. “Aqui está uma paz. Lá foi um terror. Não deu pra ouvir e nem entender nada. Muita gente passou mal”, disse Nice Barbosa do MST. 

A audiência pública contou com a participação dos vereadores Carlinhos do Leme, Érica da Enfermagem, Marco Porta, Cido da Yafarma e Joice Silva. O secretário de Planejamento Olívio Nóbrega também participou. 

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