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Bebê morre após mãe passar mais de 27 horas em trabalho de parto no HGIS

Por Ane Greice Passos | 26/05/2014

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Ane Greice PassosEliseu Acácio de Mello, mostra o berço de sua filha Amanda, que morreu no último sábado, 24.

Uma gravidez tranquila e muito desejada, assim foram as 41 semanas que antecederam o nascimento de Amanda Letícia de Mello. Todos os exames e ultrassons mostravam que a bebê estava em ótimo estado de saúde e que seu coração batia normalmente, porém no último sábado, 24, Amanda faleceu no Hospital Geral de Itapecerica da Serra, após a sua mãe Danielle Letícia Antônio passar por um trabalho de parto que durou mais de 27 horas e que, segundo ela, só foi realizada a cesariana quando a neném já estava em risco. 

Muito abalada Danielle, contou para o Jornal Na Net o que aconteceu durante os dois dias em que esteve internada e o sofrimento de não poder ver a sua filha viva. Acompanhada de seu marido, o frentista Eliseu Acácio de Mello e de sua mãe Silvia Letícia, Danielle contou como foram as 27 horas que antecederam o nascimento de Amanda.

 Danielle foi pela primeira vez no HGIS na quarta-feira, 20, e foi orientada, inicialmente, a ir para o pronto socorro, pois no hospital só eram realizados partos de risco. Após conversar com um médico plantonista, a jovem retornou para sua casa, acompanhada da sua mãe, com a promessa que no próximo dia poderia retornar para ser internada e atendida pelo mesmo médico. 

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Na quinta-feira, 21, a jovem foi internada no HGIS, por volta das 15h30. Segundo Daniella às 18h30 a enfermeira aplicou um medicamento para que o trabalho de parto fosse iniciado, pois a gestante não possuía dilatação. Às 6 horas da sexta-feira, 22, outro medicamento foi aplicado, estimulando as dores do parto, após esse procedimento o bebê começou a ter os batimentos cardíacos monitorado a cada hora.

Após mais de 24 horas de internação Danielle não possuía dilatação suficiente para o parto e estava muito debilitada. “Ela não estava aguentando, não poderia ser parto normal. Eu falei: ‘Dr. Não dá para fazer uma cesárea?’ E o médico respondeu que sempre queremos fazer cesárea, mas não tinha necessidade, porque o bebê estava bem e a mãe também e por isso o parto pode ser normal”, disse a avó Silvia.

Às 22h a enfermeira obstetra pediu para Danielle tomar um banho, para induzir o parto, e após o banho o ginecologista seria chamado para tomar as providências. Nesse momento Danielle não aguentava mais de dor e não conseguia fazer mais força. Após 35 minutos no chuveiro e com sangramentos e secreções, a gestante foi encaminhada para sala de parto. 

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“Depois do banho a enfermeira obstetra me examinou e o coração do meu bebê estava normal. Eu disse que eu não estava mais aguentando de dor e pedi para que fosse feito uma cesárea, mas a enfermeira disse que eu estava bem e que ia ser normal”, segundo Danieele após esse atendimento a enfermeira saiu com ela às pressas, informando que o bebê iria nascer.

Danielle disse que ao chegar na sala de parto tinha uma outra mãe com um bebê recém-nascido na mesma sala, e que não foi solicitado que sua mãe realizasse nenhum tipo de higienização. A gestante afirmou para o Jornal na Net que foi hostilizada pela enfermeira, que chegou a falar para que não gritasse, “porque ninguém está aqui para escutar a sua voz”.

A avó de Amanda, chegou a notar um certo desespero e alvoroço das enfermeiras, que após algum tempo na sala de parto chamaram três médicos, que começaram a auxiliar o trabalho de parto. “O médico subiu em cima de mim e colocou o cotovelo para forçar minha barriga ele e os outros faziam muita força para o bebê nascer”, disse Danielle. 

Entre os esforços para o parto dona Silvia, afirmou ter visto o médico colocando o medidor de batimentos cardíacos e logo após começou a correria para fazer cesárea. “Quando eu vi o coração da minha neta bater a 55, eu gritei que eles tinham matado o bebê, porque eles mataram a minha neta”.

Danielle foi encaminhada para a sala de cirurgia por volta das 23h30, mas não pode ser acompanhada pela mãe. “Quando eu entrei na sala de cirurgia eu senti alguma coisa no meio da minha perna e eu sei que era minha filha. Eles pediram para eu relaxar para me dar a anestesia, ficaram tentando furar minha coluna, mas não conseguiram, tentaram umas 4 ou 5 vezes. Eles estavam muito agitados, queriam acabar logo”, afirmou.

Após o parto a mãe aguardou ansiosamente pelo choro de sua filha, porém afirma não ter escutado o choro do bebê. ”Eu estava esperando isso, que iam tirar ela e me dar. Eu não vi minha filha, eu fui ver ela morta no fim do corredor. Isso é que eu não me conformo. O pediatra falou que minha filha tinha nascido com uma baixa frequência cardíaca e logo após a médica que me atendeu falou que minha filha tinha nascido com o “cocô até o nariz”.
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Muito abalada Danielle disse que um dos momentos em que ficou mais nervosa e que acabou chorando muito, foi quando a médica disse que só um milagre salvaria sua filha. “Ela me disse que eu tinha que pedir para Deus para minha filha andar e falar. Eu só queria ver minha filha, eu ouvi o choro de todas as crianças quando nasceram, mas não ouvi o da minha filha. Isso é o que me mata, me deixa mais triste”.

O pai de Amanda estava trabalhando e quando foi informado, correu para o hospital para ver sua filha. Ao chegar no HGIS encontrou sua sogra transtornada, gritando que tinham matado o bebê. 

“Eles deixaram eu entrar na sala do neonatal e a bebê estava intubada e roxinha. Depois de 10 minutos retornei no local e fui informado pelo médico que a Amanda havia falecido, após uma segunda parada cardíaca”, disse Eliseu.

Os pais acusam o hospital de negligencia médica e afirmam que sua filha nasceu morta, porque forçaram o parto normal ao invés de realizaram uma cesárea. Eliseu disse que irá pedir uma sindicância no HGIS e pretende processar o hospital. “Se ela sabia desde o começo que não tinha dilatação, porque não fez a cesárea desde o começo? ”.

Muito abalada e chorando, Danielle fez um apelo para que isso não volte a acontecer com outras pessoas. “Eu não quero que aconteça com outras mães, eu passei nove meses, aguardei ansiosamente por essa criança. Eu queria ver minha filha nascer, eu ouvi o choro de todas as crianças e não ouvi o dela, eu só vi minha filha morta. Ninguém deve passar pelo o que eu passei”.

Eliseu tenta dar força para a sua esposa, que no próximo dia 28 fará 31 anos e esperava comemorar com a filha nos braços. “É uma perda irreparável, é uma cicatriz que vai ficar para o resto das nossas vidas. Por mais que tenhamos mais filhos, esse é um trauma que vai ficar para sempre”, finalizou.

O atestado de óbito de Amanda Letícia Mello foi registrado às 2 horas do dia 24 de maio, como asfixia grave ao nascer. O enterro aconteceu no domingo, 25, no cemitério municipal Recanto do Silêncio em Itapecerica da Serra. 

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