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O limite entre a reportagem e a manifestação cidadã

Por Sandra Pereira | 23/06/2013

brasiil450

Sandra PereiraOs manifestantes são tomados pelo sentimento coletivo de cidadania 

O jornalista não deve se envolver emocionalmente na cobertura do fato. Deve noticiar. Relatar com a maior riqueza de detalhes e precisão o que viu, ouviu e captou no ar. Mas, devo admitir que não foi assim que procedi na sexta-feira, 21, durante a cobertura da maior manifestação da história da região. Eu me envolvi. Me emocionei. Chorei. Claro que ninguém viu, mas aconteceu. A manifestação já tinha mais de uma hora de duração quando um grupo de jovens vindos do Campo Limpo se somou aos que estavam na Régis Bittencourt, na altura da padaria La Ville em Taboão da Serra. Eles desceram a Caetano Barrela em disparada. Todos repetindo que o gigante acordou.

Em mim o despertar do gingante arrancou lágrimas que rapidamente cuidei de esconder. Não podia falar porque a voz estava embargada. Mas, senti orgulho de estar ali. Orgulho por cada um que estava ali. Gente de todas as idades, cores e lugares da cidade. Pessoas com tantos sonhos em comum. Sorrindo, gritando, cantando, bradando pela cidade, estado e o país que desejam.

Vi meninas muito jovens levando cartazes demonstrando às autoridades que sim elas se importam com os rumos que o país toma. Vi meninos bem jovens também parecendo homens velhos, pensadores, sábios, preocupados com o atendimento no SUS, com a má qualidade da educação, com o valor auto da tarifa de transporte. Também encontrei trabalhadores reclamando que o poder de compra do salário mínimo é mínimo mesmo. E vi uma solidariedade e responsabilidade poucos comuns nos dias de hoje.

Havia em meio a tudo isso indivíduos destoantes da maioria. Mas, sempre que eles se levantavam em tentativas de criar confusão eram imediatamente contidos por um coro uníssono que bradava “sem violência, sem violência”. Numa dessas ocasiões um rapaz vestido com a bandeira do Brasil resistiu bravamente às provocações de um outro, que foi contido pelo sentimento coletivo de responsabilidade. Todos sabiam que uma linha tênue separa a manifestação do vandalismo.

A primeira vez que os manifestantes sentaram no meio da BR eu me contive. Na segunda não consegui mais. Tirei foto com a certeza de que um dia a mostrarei aos meus netos. Quando eu levantei meio constrangida por aderir ao movimento enquanto trabalhava um amigo me disse assim: bem vinda à história.

Não posso falar detalhadamente sobre a confusão que ocorreu após a dispersão dos manifestantes. Deixei o centro de Taboão poucos minutos antes, quando ficou perigoso trabalhar lá. Digo perigoso porque até aquele momento ninguém tinha me abordado em tom desafiador, como ocorreu quando decidi ir embora. Rapazes embriagados começavam a deixar o clima inseguro. A abordagem abusiva de alguns grupos me fez guardar o equipamento e sair.

Sei que fizemos história naquela noite. E para que essa história não tenha a mancha da violência é preciso deixar claro que a confusão só começou após a dispersão dos manifestantes. As cenas de violência ocorridas nesse período em nada representou o movimento que manteve fechada por mais de 5 horas uma das mais importantes rodovias do Brasil. Devo dizer que a polícia e a Guarda Civil agiram com coerência e respeito durante a manifestação. Os vi sempre de longe acompanhando o ato em tom respeitoso. Arrisco dizer que em vários deles percebi gestos de apoio. Claro que policiais e GCMs não devem se envolver emocionalmente com o trabalho. Eu também não devo. Mas o fiz e admito. Sou gente e gente sente, pensa, ama, ri, chora e se emociona com a mesma capacidade com que se indigna, arregaça as mangas e vai pras ruas lutar pelo que acredita.

Arney

O bom jornalismo é o que SE ASSUME COMO NÃO ISENTO E QUE NÃO DIZ "A VERDADE" . Afinal cada um tem a sua e voce expressou a sua E POR ISSO MESMO FICOU MAIS OBJETIVO ! PARABENS IMAGINA EU QUE FUI MANDADO CALAR A BOCA NA ORGANIZAÇÃO EM EMBU E ACABEI VINDO A PÉ COM O PESSOAL ! Perdi até um encontro por isso NADA MELHOR DO QUE VC SENTIR QUE TEM UMA FORÇA, QUE NÃO É SUA!

Natanael Lopes

Sandra eu participei das manifestações das diretas já, estive nas passeatas pelo hospital geral do pirajussara, e tambem fui as ruas pedindo a saida do collor. só que nessas manifestações tinha alguem liderando puxando o coro mais nessa de agora é diferente não tem um lider todos estão com o mesmo sentimento. buscando uma resposta para tantas coisas erradas que estão acontecendo, só posso dizer uma coisa não dá para saber onde isso vai parar.

Alberto Cardoso

Sandra, voce simplesmente externou a sua voz acima de tudo de cidadao independente de profissao, que tambem nao suporta como eu tantas mazelas desses politicos. Quando o turbilhao das mutidoes ecoam e sinal sim de mudanças profundas que estao por vir, pois como dizia um cartaz que o gigante acordou, eu digo simplesmente que estamos saindo da letargia que sempre fomos rotulados de aceitar tudo passivamente. E quanto aos seus sentimentos que afloraram na manifestaçao de sexta feira, voce so mostrou a nova face da mulher brasileira, guerreira que luta por seus direitos e os direitos desse pais maravilhoso que se chama BRASIL. E a todos sem distinçao que participaram com civilidade e respeito nas manifestaçoes estao todos de parabens, pois um pais so se transforma para melhor quando seus cidadaos tomam consciencia de que podem e devem assumir a sua cidadania.

HELENA A BOCHETE

SANDRA PEREIRA, você descreveu tudo e muito mais, do que vi, senti, e não consegui expressar, você conseguiu transmitir nas palavras, atos e condutas envolvidos com sentimentos de solidariedade, fraternidade e imenso amor pela humanidade, que deveriam ser seguidas como regra, em todas as profissões, agora entendi que suas matérias são diferenciadas, pois tem essência humana, quando relata as matérias, os fatos, e agora você passa a ser profissional que faz a diferença no jornalismo da Região, ou seja, “ JORNALISTA de EXCELÊNCIA”, sua matéria é POESIA pura, nas suas palavras narrou e expressou a fé e esperança de um povo, com as cores do BRASIL, enquanto lia a matéria “CHOREI DE EMOÇÃO”, porque estava lá, eu e meus netos de 11, 13, 15, 17 e 18 anos de idade” achei que estava vivendo um sonho, SUA MATÉRIA me acordou, o sonho é uma realidade, o Brasil acordou, e a ORDEM e PROGRESSO da BANDEIRA BRASILEIRA, deverá ser colocada em prática, a ORDEM é para que os POLÍTICOS respeitem a vontade de seus representados, onde o PROGRESSO deverá ser do POVO para o POVO, e NÃO para beneficiarem Grupos de Políticos Corruptos. HELENA A BOCHETE.

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