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Globo é condenada a indenizar PM de Itapecerica por erro em reportagem há 21 anos

Por Outro autor | 24/10/2012

globo

DivulgaçãoPM foi apontado como estuprador em matéria da rede Globo

Em setembro, a Globo foi condenada a indenizar em R$ 200 mil um policial militar que, erroneamente, foi acusado pela emissora de ter participado do estupro de uma menina de 11 anos dentro de uma delegacia, informou o blog do Daniel Castro, no portal R7, na última terça-feira (9/10). Ainda cabe recurso da ação.

O caso ocorreu há quase 21 anos, quando o sargento E.R.J., hoje com 41 anos, tinha 11 meses de Polícia Militar. Ele estava de plantão na delegacia de Itapecerica da Serra (SP) no dia 19 de novembro de 1991, e foi preso junto com outros quatro policiais civis.

O episódio foi noticiado pelo telejornal local da Globo, na época chamado de "São Paulo Já". O "Fantástico" também ilustrou uma reportagem sobre policiais que viraram bandidos.

Na sentença, a juíza Alena Cotrim Bizzarro relatou que a emissora alegou ter apenas informado os fatos, mas que "não é isso o que se constata quando se assiste ao DVD". "Para que cumprisse o dever de informar, deveria apenas ter divulgado que o requerente [o policial] era acusado da prática do delito, jamais afirmado que ele praticou o delito, como foi feito".

Na reportagem exibida pelo "Fantástico", há narração do suposto crime. "Nesse período, ela foi estuprada por dois carcereiros, um investigador, pelo operador de telex e por um soldado da Polícia Militar que fazia ronda na delegacia".

A matéria encerrava mostrando o rosto de E.R.J., o soldado da PM que fazia ronda na delegacia, e informava que ele confessara o crime. No entanto, o policial nunca confessou o estupro e ficou marcado por isso.

Armação

Alguns meses depois, o repórter policial Gil Gomes, então no "Aqui Agora", do SBT, entrevistou a menina, que disse ter acusado os policiais injustamente a mando de um delegado. A acusação era uma "armação" do delegado, que teria "plantado" a menor na delegacia.

O delegado teria como alvo o investigador que estava de plantão naquele dia e que, supostamente, sabia de seu envolvimento em um esquema de venda de sentenças judiciais.

Processos

E.R.J. ficou preso durante um ano e meio. Hoje, está casado e tem filhos. Outro policial se envolveu com drogas e perdeu tudo.

Inconformado com a acusação de que teria confessado o estupro, o PM tentou processar a Globo três vezes. Em 2010, ele conheceu o advogado Álvaro Nunes Júnior, que pediu R$ 300 mil de indenização. "Ele foi acusado de uma coisa terrível", disse. A Justiça concedeu R$ 200 mil a ele por danos morais.

Matéria extraída do site Portal Imprensa



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