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Instituto Asas Brancas corre o risco de fechar as portas em Taboão da Serra

Por | 5/04/2010

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Instituição enfrenta problemas financeiros, falta de estrutura e sofre com a permanência de jovens infratores

O Instituto Asas Brancas, localizado na rua Jasmins, 120, Parque Assunção, na cidade de Taboão da Serra, está passando por sérias dificuldades. A instituição de mais de 40 anos amarga problemas financeiros, atrasos de salários e até dificuldades para comprar comida e pagar contas de água e luz. A situação do local só não é mais crítica porque voluntários ajudam a manter a casa em funcionamento e pagam contas de luz e água.

“Nossas crianças jamais passaram fome e nunca ficaram sem remédios, (que o Estado deveria fornecer), temos sim falta de dinheiro para salários. Inclusive temos falta de monitoras e não podemos contratar por falta de verba”, afirma Dona Alice.

De acordo com a diretoria da instituição, os adolescentes infratores levados para lá pelo Conselho Tutelar estão ocasionando transtornos para as demais crianças. Além disso destroem equipamentos da casa e provocam situações de conflito até mesmo com os funcionários.

A Instituição, segundo a Presidente Alice Bernardes Castanho deveria acolher somente crianças e adolescentes vitimados, por maus tratados, abuso sexual e abandono. “Isso não está acontecendo, o Conselho Tutelar traz para a instituição menores infratores que estão dando muita dor de cabeça e acarretando prejuízo à casa”, afirmou.

Alice enfatiza que o Conselho Tutelar chega a levar ao local adolescentes infratores de madrugada atrapalhando o sono de crianças pequenas e bebês recém nascidos que moram na instituição.

A presidente do Asas Brancas contou a Reportagem do Jornal na Net que muitos infratores, trazem prejuízo ao Asas Brancas. “Meninos e meninas, adolescentes, batem nos menores, quebram janelas, camas, desrespeitam os coordenadores, roubam. Quero mostrar que esse não é um lugar para menores infratores, a Instituição foi criada em prol de crianças e adolescentes abandonados e que sofrem abuso sexual e maus tratos”, relata.

Segundo a Presidente da casa recentemente uma adolescente quebrou camas, portas, janelas e uma dessas janelas estava próxima ao berço de um bebe cardíaco “graças ao seu anjo guardião ele não foi ferido”, desabafou.

O Asas Brancas conta com dois núcleos, sendo a Casa Abrigo (núcleo I) e a Casa Transitória (núcleo III). O internato está dividido em refeitório, quarto para as meninas, crianças e adolescentes, sala para televisão, creche, escola estadual Asas Brancas, quadra e sala de aula para oferecer aos pequenos oficinas de cerâmica, violão, capoeira. Além de proporcionar uma maior interação entre eles, organizando roda de conversa, conto de histórias e diversos esportes.

Segundo a Coordenadora Pedagógica Antônia Rosa, que trabalha na instituição há dois anos, os alunos também participam de passeio cultural e recreativo, além de visitarem o museu e a pinacoteca.

Ao todo são 79 menores de idade, entre crianças e adolescentes. Sendo 28 na casa transitória e 51 no abrigo. Segundo colaboradores os jovens que moram na casa transitória freqüentemente não ficam nem três meses na residência, pois são transferidos para outras instituições. Elaine é voluntária e acredita que o pouco tempo que as crianças ficam na instituição não ajuda em nada para elas criarem familiaridade, aproximação. “Muitas ficam retraídas, pois sabem que daqui a três meses serão transferidas de local”, justifica.

A Presidente Alice Bernardes destacou mais alguns problemas que a instituição enfrenta, segundo ela, o governo federal e estadual não ajudam com nenhuma verba. A verba que recebemos de R$ 13.200,00 é de um convênio firmado com a prefeitura da cidade, mas esse dinheiro não consegue ajudar em nada que a casa necessita.

 “O dinheiro é usado somente no RH da instituição, como precisamos de mais dinheiro para manter as despesas, muitas vezes preciso colocar a mão no meu bolso, para manter a casa”, contou.

A falta de estrutura é evidente e Dona Alice, está se esforçando aos poucos para reformar o ambiente. Ela garante que o pouco dinheiro na instituição não irá facilitar a reforma na casa. “Preciso fazer a fossa, porque nessa rua não passa rede de esgoto, preciso consertar as janelas, colocar os vidros que foram quebrados, arrumar o piso (principalmente da creche) e o telhado”, justifica.

Ela desabafa que às vezes não é possível pagar a conta de água, pois muitas vezes está com o valor muito alto, mas a Sabesp não quer saber se não temos condições no momento para pagar, a empresa não têm piedade, corta a água, sem ao menos ouvir nossas queixas. “Se nas favelas o esbanjo é alto, não importa, é de graça. A instituição Asas Brancas que assiste as crianças em situação de risco do município e das favelas tem que pagar, embora não exista rede de esgoto adequada”, desabafa.

A Presidente da Instituição Alice Castanho esclarece que a situação financeira é agravada com os atrasos ocorridos nos envios de verbas municipal, estadual e federal, “razão de termos que levar a conscientização de todos que trabalhamos com o produto mais importante do universo, que são crianças e adolescentes, cuja responsabilidade não é somente de nossa diretoria, mas também da União, do Estado, do Município e de toda sociedade Taboanense”, afirmou.

Outros problemas preocupam os colaboradores, a falta de dinheiro também acarreta no cuidado com a saúde, muitos menores não podem tomar o medicamento que precisam, pois, segundo a Presidente a Instituição não tem condições de comprar os remédios necessários.

A ausência de Oftalmologista e Ortopedista na cidade, também atrapalha a vida dos colaboradores, que muitas vezes precisam trabalhar fora de seu horário de trabalho para acompanhar o menor ao médico em São Paulo.
“Se a criança machuca o pé, ou sofreu algum acidente com o olho, precisamos encaminha-los para um doutor na cidade de São Paulo, pois Taboão da Serra, está carente desses médicos”, afirma a presidente.

Mas com tantos problemas, a Instituição pode contar com diversos voluntários que trazem um pouco de conforto aos menores que necessitam de atenção e amizade. A Presidente Alice destaca a Viação Asa Gol (Associação dos pilotos da Gol) e a ATT (Associação dos Tripulantes da Tam) que ajudam da maneira que podem esses menores trazendo alegria e esperança para suas vidas.

Dona Alice conta que a Instituição atende bebês de meses, crianças e adolescentes até 17 anos de idade. Segundo ela, são diversos tipos de dificuldades que essas crianças enfrentam.

Para a coordenadora Antônia Rosa é muito gratificante saber que muitos desses jovens saem da casa com uma formação. “Aprenderam a adquirir mais educação, inteiração com a sociedade, e tudo isso vai acarretar em oportunidades de trabalho”, afirmou orgulhosa.

O jovem F. de 12 anos, contou a Reportagem que adora morar na casa, isso porque ele pode praticar esportes, estudar, passear e participar de Oficinas.

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