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Metrô: A expansão SP que não veio para a Região Sudoeste

Por Márcio Amendôla | 24/03/2010

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Os ônibus são a  única opção da população

O ‘Metrô pra Taboão’ foi o mote de várias campanhas eleitorais que elegeram (ou não) deputados na Região Sudoeste da Grande São Paulo, incluindo-se aí Taboão da Serra, Embu das Artes, Itapecerica da Serra, Embu-Guaçu, São Lourenço da Serra e Juquitiba. Com o metrô em Taboão, prometiam candidatos a deputados e governadores, a integração com os ônibus iria desafogar o trânsito, facilitar a vida dos trabalhadores que dependem do transporte público numa região com mais de 800 mil habitantes.

Mas, ao ler a manchete da Folha de S. Paulo desta terça-feira (23/03), a realidade mostra-se outra. Nenhuma citação sequer às possibilidades de expansão da Linha 4 do Metrô (amarela) além dos limites da Capital Paulista (Taboão ou Embu), muito ao contrário. Devido a uma série de entraves alegados pelo governo do Estado, tudo vai atrasar, inclusive as estações Butantã, Morumbi e Vila Sônia. A estação Butantã fica para fins de 2010 ou 2011, enquanto que as outras duas tem a nova previsão de serem abertas somente em 2014. Isto numa obra prometida para 2007. A linha 4 do Metrô é a primeira a ser operada pela iniciativa privada, num consórcio denominado ‘Via Quatro’, e a concessão do sistema foi dada pelo Governo do Estado por 30 anos.

Segundo a reportagem do jornalista Alencar Izidoro, da FSP, “O plano de expansão da rede sobre trilhos do governo José Serra (PSDB) atrasou. Obras ou entregas prometidas para 2010 em três das cinco linhas do metrô paulistano foram adiadas.

Nas outras duas, há incertezas”, enquanto “a promessa do Estado veiculada em panfletos e na TV era de que ’28 novas estações’ de metrô e de trem seriam entregues de 2007 até este ano”.

Mas agora o governo paulista informa que, das ’28 novas estações’, somente 16 são realmente novas, e que as demais se limitam a reconstruções e reformas de estações já existentes. Uma pena, principalmente para os municípios da região sudoeste, afunilados pelo corredor BR-116/Avenida Francisco Morato, que tem como única matriz de transporte coletivo o Ônibus, comandado por consórcios de empresas que monopolizam o transporte público, com péssimo atendimento aos cidadãos, que dia a dia têm de se amontoar em veículos lotados nos horários de pico. No Site do plano de expansão do Metrô (http://www.expansao.sp.gov.br/index.php) linhas como a 17 (Ouro - São Judas/Congonhas) e 6 (Laranja – Brasilândia/Água Branca), prometidas para 2010, nem sequer foram licitadas ainda.

Cortarão nosso acesso às Clínicas?
De concreto mesmo para a linha 4 (que sonhamos venha até Taboão e Embu) o governo paulista promete apenas a inauguração em 2010 das estações Faria Lima e Paulista, o que, convenhamos, é inútil para os moradores da região Sudoeste, que já tem à disposição o Metrô Clínicas, que dá acesso à Paulista. A dúvida é se as atuais linhas de ônibus com destino ao Hospital das Clínicas não vão ser interrompidas e redirecionadas à nova Estação Faria Lima, com prejuízo para milhares de trabalhadores que atualmente conseguem chegar às Clínicas com uma única tarifa.

Porém, com a atual política de transportes do Estado em convênio com a Prefeitura da Capital, que vem retirando centenas de linhas de ônibus da Capital, redirecionando-as para Terminais fechados (de ônibus e/ou metrô), a perspectiva para os moradores da Região Sudoeste não é nada animadora.

Nos últimos anos, as linhas que faziam corredores como os das avenidas João Dias e Francisco Morato, por exemplo, foram canceladas ou transferidas para vias paralelas, em prejuízo dos clientes do transporte coletivo da modalidade ônibus, tudo isto em favor do transporte individual, que agora tem mais espaço para trafegar.

Para agora já é certo que os ônibus convencionais serão proibidos de circular pela Avenida Rebouças, conforme anunciou o próprio governo paulista. Ou seja, quem usa de uma única condução para chegar ao Centro, via Rebouças, pode esperar o prejuízo de ser despejado em uma estação novinha do Metrô, e ter de pagar o dobro ou mais pelo mesmo percurso que faz atualmente.

Acidente com mortes
Em janeiro de 2007 um grande acidente ocorreu nas obras da estação Pinheiros da Linha 4 do Metrô, quando várias pessoas foram tragadas por uma grande cratera aberta sobre o túnel da estação, com o resultado de 7 vítimas fatais. A aceleração da obra, determinada pelo governo paulista, teria sido uma das causas do acidente. Ironicamente, agora o Estado alega que o atraso nas obras da Linha 4 deve-se justamente por causa do desabamento de 2007.

Para 2010 o governo paulista ainda acena com a possibilidade da inauguração das estações Pinheiros e Butantã, mas já descarta a abertura das estações Luz e República, justamente as que dariam acesso ao centro da Capital. Mas avisa: as novas estações da Linha 4, entre Faria Lima e Paulista (levando nada a lugar nenhum, ao menos para nós de Taboão e Embu, por exemplo), a serem inauguradas nos próximos dias, só vão funcionar as 9 às 15 horas, de segunda a sexta-feira.

Neste caso, qual o motivo da inauguração? Atender ao calendário eleitoral? Eleitor, fique atento: candidatos vão novamente colocar em seus panfletinhos de campanha: “Metrô pra Taboão”. Só não dirão que poderemos não estar vivos quando a ‘inauguração’ da obra acontecer daqui a dez ou vinte anos (ou nunca).

Márcio Amêndola de Oliveira é Assessor de Comunicação da Câmara Municipal de Embu, ex-diretor do Jornal Fato Expresso e graduando em História pela Universidade de São Paulo – USP.


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