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Comnegro vai homenagear mulheres negras de Taboão

Por Sandra Pereira | 25/07/2012

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Carol Garcia - Divulgação Mulheres negras se mobilizam contra exclusão e preconceito histórico

  Vítimas históricas da sociedade machista e preconceituosa as mulheres negras serão lembradas nesta quarta-feira, 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Afro-Latino-Americana e Caribenha. Para marcar a passagem da data o Conselho Municipal do Negro (Comnegro) de Taboão da Serra vai homenagear 30 mulheres negras da cidade que se destacaram por sua atuação na cidade em diversas áreas. As homenagens vão acontecer no Cemur, a partir das 19 horas. 

  A mulher negra compõe o grupo mais discriminado no mercado de trabalho em várias regiões do Brasil. Elas são proporcionalmente, o quem mais sofre com o desemprego e, quando empregadas, recebem remuneração mais baixa que outros trabalhadores na mesma função. Também são a parcela da sociedade com menor índice de escolaridade. A expectativa de vida das mulheres negras é inferior a das mulheres brancas, pois há um potencial das discriminações sobre o bem-estar/saúde, mal-estar/doença. 

  Essas constatações são feitas frequentemente por meio das pesquisas que visam medir o grau de exclusão das mulheres negras, e como isso afeta as suas vidas. Mas, apesar do diagnóstico nada animador ainda faltam políticas voltadas para combater essa praga silenciosa que atinge a vida de milhões de mulheres negras todos os dias.

   É por isso que a meta do Comnegro de Taboão da Serra é chamar atenção do Legislativo municipal para a data, visando a sua inserção no calendário. Mulheres negras ouvidas pela reportagem do Jornal na Net alertaram para a importância de atuar para conscientizar a sociedade e agentes políticos em geral sobre os vergonhosos índices que atestam a exclusão delas. 

  “A situação da mulher negra no Brasil de hoje manifesta um prolongamento da sua realidade vivida no período de escravidão com poucas mudanças, pois ela continua em último lugar na escala social e é aquela que mais carrega as desvantagens do sistema injusto e racista do país. Inúmeras pesquisas realizadas nos últimos anos mostram que a mulher negra apresenta menor nível de escolaridade, trabalha mais, porém com rendimento menor, e são poucas que conseguem romper as barreiras do preconceito e da discriminação racial e ascender socialmente”, ressalta a pesquisadora  Maria Nilza da Silva, artigo a Mulher Negra, publicado na Revista Espaço Acadêmico.

 A secretária do Comnegro  Rosinete Menezes disse que as homenagens têm a finalidade de lembrar que desde 1992, no I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas em Santo Domingo na República Dominicana, iniciou-se uma luta internacional para refletir sobre a luta e a resistência da mulher negra.

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