Você está aqui: Página Inicial » Notícias » Cultura

“Filha da Anistia”, com direção de Helio Cicero, será apresentado em Embu das Artes

Por Prefeitura da Estância Turística de Embu das Artes | 19/03/2010

anistia.jpg

A apresentação teatral gratuita que acontecerá nos dias 20/3 e 14/4, em Embu das Artes.

Filha da Anistia, com texto de Carolina Rodrigues e direção de Helio Cícero, fará apresentações gratuitas nos dias 20 de março, sábado, e 14 de abril, quarta-feira, no Centro Cultural Mestre Assis, às 20h.

A peça conta a história de uma jovem que vai em busca do pai que nunca conheceu e acaba descobrindo um passado de mentiras e omissões, forjado durante os anos de chumbo no Brasil.

O projeto Filha da Anistia nasceu após três anos de pesquisa. Carolina Rodrigues e Alexandre Piccini mergulharam em arquivos públicos e bibliotecas; leram livros, teses e biografias; conheceram e entrevistaram militantes. “Durante esse processo, uma pergunta ganhou força em nós: qual ditadura existiu: a que nos foi apresentada nos tempos de escola ou essa que estamos conhecendo através da pesquisa? A busca por esta resposta e por entender o que estava oculto me impulsionou a escrever o argumento da peça”, comenta Carolina.

Por isso mesmo é que Filha da Anistia provoca no espectador a reflexão sobre esse período da política nacional por meio da história de uma família despedaçada pela ditadura. A montagem revela os dois lados da sociedade, inserida neste contexto: o da omissão e conformismo e o da luta pela liberdade cerceada pela repressão.

“Meu orgulho é ter conseguido realizar esse trabalho sem armas no palco e sem nenhuma cena de tortura”, revela o diretor Helio Cicero. “A repressão não tinha cara, não tinha identidade; uma arma apontada não é o elemento mais importante para mostrar que não temos liberdade”. A ditadura militar é exposta por meio das lembranças do personagem Jorge sobre os encontros e conversas com a irmã Iara. A direção buscou um ritmo ágil para essas cenas do passado, explorando os diálogos sem didatismo e sem discurso político.

O texto final resultou do processo de criação durante os ensaios, que vêm acontecendo desde outubro de 2009. Carolina, junto com Cicero e Piccini, foi traçando os caminhos do enredo; recebeu orientação dramatúrgica de Samir Yazbek, até chegar ao texto final da peça. Em 2009, o projeto foi contemplado pelo Programa de Ação Cultural (ProAC) da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.



SINOPSE

A história se passa no ano de 2009. Clara é uma advogada de 30 anos que procura refazer sua história, desde o nascimento quando foi morar com os avós paternos. Tudo que tem é o endereço de seu suposto pai, Jorge, que a avó lhe deu antes de morrer. Sua história é um mistério, contaram-lhe que seu nascimento ocasionou a morte da mãe e nunca viu o pai pessoalmente, cuja presença era inaceitável pelo avô militar.

Com a morte da avó, Clara resolve procurar pelo pai e esclarecer o passado, mas ela não imaginava que sua vida seria radicalmente transformada, a partir das revelações deste encontro. Ao perceber o abismo cultural e histórico entre a sua geração e a de Clara, Jorge é acometido por duras lembranças e toma consciência da herança deixada pela ditadura nas gerações posteriores ao golpe.

Ao tentar recuperar a história, vivida por ele e seus companheiros na juventude, e provocar a reflexão em Clara, que cresceu alheia a esse processo histórico, Jorge revela que é, na verdade, seu tio, irmão de sua mãe, Iara. A jovem então descobre que sua mãe e seu tio foram jovens militantes da resistência contra a ditadura militar, após o golpe de 1964, e que sua mãe - grávida do namorado, também militante - perdera a vida, após ser presa e torturada pela repressão. A criação da pequena Clara foi assumida pelos avós, que inventaram uma história fantasiosa e descabida, omitindo a existência da filha, sua mãe, e dizendo ser ela filha de Jorge.

Todas as certezas de Clara caem por terra diante de tão duras revelações sobre seu passado familiar e sobre um período da história de nosso país que poucos conhecem e que a maioria prefere esquecer. Para ela, isso não será mais possível.

Serviço

Centro Cultural Mestre Assis

Apresentações gratuitas: 20 de março, sábado, às 20h

14 de abril, quarta-feira, às 20h

Largo 21 de Abril, s/n – Centro

Embu das Artes – Tel. (11) 4785-3563

Duração: 80 min

Gênero: Drama

Classificação etária: 14 anos

anist.jpg


anisti.jpg

Texto e fotos:  Vitor Vieira

Comentários

As matérias são responsabilidade do Jornal na Net, exceto, textos que expressem opiniões pessoais, assinados, que não refletem, necessariamente, a opinião do site. Cópias são autorizadas, desde que a fonte seja citada e o conteúdo não seja modificado.