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Seccional investiga PMs por acobertar execução

Por Edimon Teixeira | 23/04/2012

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Arquivo Jornal na NetDelegado Seccional investiga ex-PM acusado de matar cozinheiro

“Vamos investigar se houve facilitação por parte dos PM's que atenderam a ocorrência. A história está torta”.  A declaração é do delegado seccional de Taboão da Serra, Maurício Guimarães Soares, que investiga o suposto envolvimento de policiais miliatres do 36º Batalhão de simular um latrocínio para ocultar a execução do cozinheiro Josué Lima dos Santos, 30 anos.

Josué foi morto, com dois tiros nas costas, na porta de um supermercado no bairro Jardim Salete, na manhã da última quinta feira (19/04), onde havia ido comprar pão. Testemunhas disseram que  houve discussão entre ele e o ex- Policial Militar, Antonio Santana Reis, 41 anos que fazia segurança do comércio, quando este disparou a arma.

A vítima foi atingida quando tentava subir na moto dele para ir embora, depois de afirmar que não queria confusão. Ao invés de ser socorrido pelo SAMU, o cozinheiro foi atendido por uma viatura da PM, que demorou cerca 40 minutos para chegar ao local. Josué não resistiu e morreu na mesa de cirurgia. Ele era casado e pai de duas meninas, de 2 e 6 anos.

O Boletim de Ocorrência do fato só foi registrado 8 horas depois, com uma outra versão para os acontecimentos apresentada por PM's do 36º Batalhão, no 1º DP de Taboão da Serra. No registro do crime consta que Josué foi baleado em uma tentativa de assalto e que o criminoso fugido sem levar nada, informação contestada por familiares.

“Fizeram de tudo para omitir as circunstâncias em que ele foi morto. Demoraram mais de 40 minutos para socorrê-lo porque não queriam que sobrevivesse para contar como tudo aconteceu”, desabafa Nilson Batista Moreira, irmão da vítima. Eles teriam dito ainda que Josué foi morto após tentar roubar um quilo de carne.

“Por que um pai de família, com emprego fixo e todas as contas pagas, faria isso? É fácil dizer que ele era bandido para justificar o erro da polícia”, questiona o irmão.O suspeito teve a prisão temporária decretada. A Corregedoria da Polícia Militar e o Comando da PM na Grande São Paulo acompanham as investigações.

Apropriação indébita

Reis trabalhava no 25º Batalhão, área de atuação próxima dos ex-colegas que atenderam a ocorrência. Ele foi expulso da Polícia Militar em 2008,  por apropriação indébita (crime com pena de 1 a 4 anos de prisão). Apesar de exonerado do cargo público, ele andava armado e costumava dizer, quando questionado sobre sua saída, que estava de "licença da corporação". 

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