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Prefeito, vereador e vice reclamam da Polícia na Alesp

Por Sandra Pereira | 18/08/2011

alesp

Sandra PereiraComitiva disse que foi pedir "socorro" aos deputados

O prefeito Evilásio Farias (PSB), a vice-prefeita Márcia Regina (PT) e o vereador Valdevan Noventa (PDT) foram ouvidos nesta quarta-feira, 17, numa sessão informal da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) onde disseram ter ido pedir “socorro” para Taboão da Serra. O prefeito disse aos deputados que as investigações feitas pela Polícia Civil na cidade tomaram rumo político. Os três foram acompanhados por secretários municipais, pastores, padres e lideranças comunitárias. O grupo de 57 pessoas foi recebido pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos, Adriano Diogo e os deputados Marcos Martins, José Cândido, Leci Brandão, Geraldo Cruz, Enio Tatto, Major Olímpio, Gilmaci Santos e Carlos Alberto Bezerra Júnior.

Evilásio voltou a relatar que sofreu ameaças de morte após as prisões dos acusados de fraudar o IPTU e revelou ter denunciado a prática à polícia logo depois de assumir o mandato em 2005. “Começamos aqui uma reação. Vamos buscar as instituições para trazer paz e convivência pacífica em Taboão da Serra”, disse Evilásio.

A vice-prefeita Márcia Regina criticou a publicidade dos relatórios das investigações. Ela disse que em Taboão da Serra as pessoas estão tendo que provar que são inocentes. “Não podemos admitir que as instituições do estado sejam utilizadas para intimidar as pessoas. Taboão da Serra está pedindo socorro. O mandato popular do prefeito, vice e vereadores estão sendo ameaçados”, afirmou.

O vereador Valdevan Noventa disse aos deputados que desde o seu ingresso na vida pública vem sofrendo perseguições por parte da polícia. Ele relatou que antes da votação das contas do ex-prefeito Fernando Fernandes, em 2007, teria sido procurado por dois policiais, a pedido do investigador Ivan Jerônimo da Silva. O vereador chegou a declarar que está preparado para uma acareação com o investigador.

 Noventa contou aos deputados que no período de votação das contas do ex-prefeito dois policiais teriam ido até a sua casa junto com o seu ex-concunhado, conhecido como Baia, que já foi preso por assalto a joalheiras. O vereador disse que na ocasião foi marcada uma reunião numa lanchonete na Giovanni Gronchi onde teriam estado presentes o investigador e dois policiais.

 “Eu tinha falado para ele (investigador) que se tivesse quatro votos o quinto seria meu. Mas, antes de ir para reunião falei com os vereadores e vi que ele não tinha os quatro votos”, declarou Noventa, acrescentando que chegou a ir na casa do vereador Natal com os policiais onde se encontrou também com Elói para discutir o voto. “No dia da sessão do lado de fora da Câmara ficou cheio de Polícia. Recebi vários recados nesse dia: O Ivan mandou um abraço para você. Ele falou para você pensar bem antes de votar. Ele disse para você não votar nem nas vistas. Eu fui o autor do pedido de vistas, e ai começou a pressão”, contou Noventa aos deputados presentes.

Logo em seguida Noventa foi mais adiante e relatou que o investigador teria tentado levá-lo até a comunidade do Paraisópolis a fim de discutir o voto com o “comandante” do local. Noventa falou, ainda, que durante a votação do projeto de interesse dos perueiros foi procurado por um colega vereador, que teria ido a Delegacia Seccional onde constatou haver uma série de denúncias contra ele. “Disseram que se eu fosse contra iam ligar o meu nome ao crime organizado”, afirmou.

O vereador declarou aos deputados que o estado de direito da cidade se transformou em ditadura, em injustiça. Com a voz embargada ele repetiu que não será mais candidato a vereador , à pedido dos seus familiares, com a alegação de que não suporta mais as “perseguições”. “Peço a vocês como homens de lei que vão buscar a verdade. Se eu dever quero sair algemado da Câmara, confessando o crime. Não estou aguentando mais essa situação, muitos estão sendo coagidos. A polícia não pode estar acima dos direitos das pessoas. Por isso peço ajuda de vocês”, disparou. 

Os deputados presentes fizeram várias perguntas ao prefeito e ao vereador Noventa. Os deputados se dispuseram a acompanhar Taboão da Serra. “Diante desse clamor é oportuno a Alesp cumprir seu papel de mediadora com a autoridades do Executivo para apurar os fatos em Taboão. Não partidarizo nada, mas é preciso apurar a conduta dos agentes públicos”, declarou à imprensa o deputado Major Olímpio, integrante da Comissão de Segurança Pública, que estava participando da Comissão de Direitos Humanos. 


O outro lado

Procurado pela Reportagem do Jornal na Net para tratar das declarações do vereador Valdevan Noventa o investigador Ivan Jerônimo da Silva garantiu que jamais fez qualquer tipo de solicitação ao vereador, assim como disse  desconhecer qualquer encontro com ele. “Me recordo dele ter criticado a Seccional de Polícia e não de Política, mas, posteriormente pediu para um advogado nos procurar e solicitar desculpas, inclusive estava disposto a se retratar na própria Câmara. Quanto à acareação faremos no campo judicial, ou seja, no Fórum ou na Corregedoria. Não no campo político, até porque entendo que eu não sou investigado”, comentou o investigador.

Ele disse que o vereador Valdevan Noventa está cometendo o que se chama  de "Denunciação Caluniosa", numa tentativa de dar um caráter político à investigação. “O trabalho foi e está sendo bem feito, aliás, temos muito a produzir, sinto que estão tentando parar a investigação, mas não conseguirão, pois que, daqui há pouco irão alegar que eu realizei as baixas do IPTU, das multas de trânsito, assim como, cometi os outros crimes que estão sendo apurados”, opinou o investigador.

“Quanto ao fato do vereador ter dito que eu quis levá-lo até a comunidade Paraisópolis para falar com o Comandante do local. Entendo que ele está se referindo ao enclausurado "Piauí", ele está querendo insinuar que eu sou amigo deste integrante da facção criminosa? Acho justo que se faça uma apuração rigorosa para apurar as denúncias apontadas por ele, ao final ele será processado por "Denunciação Caluniosa"”, antecipou Ivan.

O chefe dos investigadores reafirmou que seu trabalho à frente das investigações na cidade vem sendo pautado na lisura e profissionalismo. “Não tenho culpa se as pessoas que estão cometendo crimes temem por punições, mas há uma distância grande entre perseguição e atuação no dever de ofício”, observou, acrescentando que não é e nunca foi filiado a nenhum partido político.

“Atendo todos sejam políticos ou não, independente de partido político. O camarista terá que provar meus desvios de conduta.  Segunda-feira iremos comparecer a CEI, acho uma oportunidade boa para ele apresentar as provas e acusações contra a minha pessoa, nesta oportunidade, poderei rebater as denúncias e apresentar documentos pertinentes a minha função, que é investigar, ou seja, não vou entrar no jogo dele que é politizar, vou cumprir meu dever que é apurar os fatos e apresentar aos órgãos competentes”, completou. 


Ivan Jerônimo disse ainda que a sua função é combater o crime organizado, “Jamais iria ter amizade ou ainda, contato com integrante de facção criminosa”, garantiu.

O investigador ainda comentou as declarações do prefeito Evilásio Farias de que teria utilizado a polícia para praticar a desordem, ou ainda, dar apoio a manifestação que pediu na Câmara Municipal, na terça-feira (16), a cassação do prefeito.

“Fomos solicitados por meio de ligação e depois por ofício, em decorrência de um acúmulo de pessoas que iriam fazer manifestações no largo do Taboão, e, na Câmara Municipal, Solicitamos o deslocamento de policiais, assim como, houve apoio da Polícia Rodoviária Federal, acontece que eles rumaram sentido prefeitura e os policiais acompanharam, visando evitar o confronto, pois que, chegando em frente ao prédio público os funcionários livre nomeados se desentenderam com os manifestantes, que tentaram quebrar e entrar na prefeitura, quando foram impedidos pelos policiais. Ou seja, caso não estivéssemos presentes seríamos acusados de incitar ou se omitir diante da manifestação?”, questionou.


O investigador disse também que quando da reunião na Câmara para votar o assunto de interesse do transporte alternativo, a polícia foi solicitada pela própria prefeitura, que temia retaliação. “Novamente nos fizemos presente e proporcionamos o bom andamento dos trabalhos. Ainda, neste tópico o camarista deve apontar o colega dele que levou um recado ou ainda um abraço que eu tenha enviado pra ele”, finalizou.


Assista aqui o depoimento do vereador Noventa na íntegra. 

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=zcl8jlyp-1E

Assista o depoimento do prefeito Evilásio Farias.

http://www.youtube.com/watch?v=vmLTgdZepA4

http://www.youtube.com/watch?v=gNQCF346otw






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