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CEI descobre origem do CD denúncia em Itapecerica

Por | 12/08/2011

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Karen SantiagoJoão Miranda depõe na CEI e diz que os nomes citados no CD não tem envolvimento com os bota-foras

Os depoimentos do vereador João Miranda (PSB) e seu ex-assessor Vítor Rangel na Comissão Especial de Inquérito (CEI) criada para apurar as denúncias contidas na gravação de uma conversa comprometedora entre os dois nesta quinta-feira, 11, desvendaram que o estopim das denúncias foi após a nomeação de Soraia Miranda, mulher do vereador, como secretaria de governo. “A nomeação causou intrigas, divergências e uma grande disputa política”, afirmou Vítor Rangel.

A origem do cd contendo o diálogo entre o vereador e seu ex-assessor também foi desvendada. Segundo Vítor Ragel a conversa foi gravada em sua casa após um membro do partido PSB, conhecido como Tinho, orientá-lo para tal gravação com a justificativa de que João Miranda estava se apoderando do partido, da secretaria e nada estava sobrando para eles. “A conversa foi gravada há um ano (2010), no quintal da minha casa, pela minha mãe. Usei um gravador digital emprestado pelo Tinho. Chamei para uma conversa o vereador, após a minha exoneração e pedi ajuda a ele”, disse.

Vítor contou que a ideia da gravação partiu após a sua exoneração do cargo de subprefeito da regional do Jacira e de problemas pessoais. “Cheguei a usar muito entorpecente e até ficar internado por quatro meses, mas afastado do trabalho por nove. Queria ajuda do vereador e ele disse que primeiro tinha que me tratar como fui afastado por nove meses, ele ajudou a minha mulher com um cargo de livre nomeação na prefeitura”.

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Vítor esclarece origem da gravação e afirma não saber do envolvimento dos nomes citados no CD


Com relação ao conteúdo da gravação, especialmente os nomes dos vereadores José Hélio, Tonho Paraíba, Amarildo Gonçalves (Chuvisco) e vice-prefeito, Antônio Trolesi, citados na gravação, Vítor Rangel e João Miranda afirmaram que não existem provas que incriminem eles e que os citados não têm envolvimento algum com os bota-foras.

“Tenho até que pedir perdão por ter citados os nomes, porque as pessoas não têm envolvimento algum com os fatos narrados. Essa gravação não poderia ter se tornado pública porque incrimina inocentes”, observou Vítor.

“Quando ouvi o cd fiquei perplexo com as minhas falas, uma vez que fui induzido a falar coisas que não existem. Todos os nomes citados eu não tenho nenhum conhecimento de envolvimento em esquema de bota-fora e nem que receberam algum dinheiro referente ao crime”, disse o vereador João Miranda.

O vereador afirmou durante seu depoimento que a conversa comprometedora entre ele e seu ex-assessor não passa de uma conversa informal, onde não houve, em nenhum momento comprometimento com as palavras e alega que foi induzido a fazer denúncias e envolver outros nomes da administração municipal e poder legislativo.

“Falei fatos que eu mesmo desconheço. Tudo que falei são coisas absurdas, não passam de palavras mentirosas, afinal não sei do envolvimento dos vereadores, nem do presidente da câmara e vice-prefeito, Antônio Trolesi. Ninguém recebeu dinheiro e nem tinha envolvimento com bota-foras”, se explicou.

Para João Miranda essas denúncias que vieram à tona por meio da gravação, após um ano de sua origem, são de cunho político. “A gente sabe na rua, na secretaria de governo que tinha acordo entre eles (membros do partido) para que Renato assumisse a vaga de vereador (hoje sendo minha), Paulinho na secretaria de governo e Tinho assumisse o cargo de assessor especial da secretaria de governo”, detalhou.

O depoimento do vereador também esclareceu o interesse dos membros da comissão do partido PSB, no comando da pasta da secretaria de governo, uma vez, que o assunto, foi abordado, no cemitério após o sepultamento do vice-presidente do partido, José David e “amplamente imposto”, segundo o vereador em uma conversa fora do partido e na chuva.

“Me senti pressionado, pois o Paulinho queria de qualquer jeito assumir a secretaria e acabou me obrigando a marcar uma reunião com o prefeito, Jorge Costa, para indicar o seu nome. Na reunião, Jorge disse que tinha outros planos para a secretaria e que até poderia fechá-la. Uma lista de três nomes foi apresentada, dias após, a reunião e a Soraia assumiu o cargo, a escolha partiu do prefeito”, explicou.

A exoneração de Vítor Rangel do cargo de subprefeito da regional do Jacira, também foi abordado em seu depoimento. Segundo o depoente, o fato se deu por seu relacionamento conturbado e problemático no âmbito político com Cleber Bernardes, na época, diretor do Almoxarifado.

“Nunca tinha materiais suficientes para trabalhar, por exemplo, se pedia 60 sacos de cimento, chegavam 10. Pneus que seriam utilizados em um caminhão de lixo sumiram e na sequencia uma máquina da prefeitura que ficava guardada em uma residência durante uma obra foi vista pela GCM e fui chamado para dar explicações na delegacia. Eles disseram que a máquina estava trabalhando, mas ela estava parada”, salientou.

Vítor contou em seu depoimento que nunca foi beneficiado pela administração pública para obter licença ou tocar, dar andamento em uma obra na cidade. “Nunca usei do poder público para conseguir licença, tocar bota-fora. Toda vez que tentei fazer obra, fui notificado, por falta de licença da CETESB e a obra foi embargada, não consegui fazer nenhuma obra em Itapecerica”, observou.

De acordo com Vítor, os bota-foras são esporádicos em Itapecerica, que segundo ele, é o local mais procurado para a prática do crime. “Um proprietário / empreiteiro pode conhecer o outro, mas não há parceria e ligação nenhuma com o outro bota-fora”, afirmou.

Outros depoimentos
A CEI também ouviu desde às 13h desta quinta-feira, 11, os responsáveis por protocolar o cd denúncia na câmara municipal da cidade, fato que gerou a instauração da comissão. Os três funcionários da secretaria de governo, Ivone Cooler, José Barbosa, Paulo Sérgio e Vicente Fausto, Tinho, além de Paulo Pereira (assessor especial do prefeito) afirmaram durante depoimentos que se sentiram pressionados pelo vereador e sua mulher, Soraia Miranda, após protocolarem o cd na casa.

“Houve perseguição, fui mudado da secretaria de governo para o gabinete do prefeito. Após protocolarmos o cd na casa de leis, o vereador foi até a secretaria avisar que haveriam mudanças, e na sequencia, fui mudado de função”, disse Paulo Pereira. O funcionário José Barbosa também disse ter sofrido perseguição, uma vez que foi remanejado de departamento.

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Tinho é ouvido após protocolar o CD na câmara; Ele é apontado por Vítor como idealizador da gravação


Paulo Sérgio afirmou que foi após o partido ter acesso ao CD, que segundo depoimentos dos funcionários, foi deixado na porta do departamento de governo e adquirido pela funcionária Ivone, que avisou sobre o ocorrido e uma reunião na sede do partido foi marcada, mas terminou na casa de Renato.

“A ideia da reunião era ouvir o conteúdo do cd, até o momento, o assunto não era de meu conhecimento. Antes da reunião, a secretaria Soraia me chamou na sua sala, pedindo para que eu não fosse à reunião, mas mesmo assim eu fui”, contou.

Todos os depoentes funcionários da prefeitura e membro do partido disseram que o objetivo de protocolar na câmara, MP e Polícia Civil, é para que o fato seja investigado, para que o nome do partido seja mantido limpo e para mostrar que os membros não compactuam com o crime.

CEI (Comissão Especial de Inquérito)

Zé Martins é o presidente da CEI, Paulinho PM o relator e  Regina Corsini é membro. Nas mãos dos três está a tarefa de melhorar a imagem do legislativo na cidade desgastada em razão da onda de denúncias contidas no cd de João Miranda.

 

 

 

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