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Abolição da escravidão inacabada é amplamente discutida em seminário

Por Assessoria de Comunicação de Embu das Artes | 19/05/2018

abolicao

Divulgação O objetivo foi refletir sobre o contexto atual e apontar os problemas que a população negra enfrenta até os dias de hoje

O Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR) realizou no dia 12/5 o Seminário "130 Anos da Abolição Inacabada", numa parceria com a Prefeitura de Embu das Artes, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social.

Seu objetivo foi refletir sobre o contexto atual e apontar os problemas que a população negra enfrenta até os dias de hoje, causados pelo mais perverso crime contra a humanidade: a escravidão. 

O evento apontou as consequências desde a abolição da escravatura, ocorrida em 13 de maio de 1888 com a Lei Áurea, que extinguiu a escravidão no Brasil e “libertou” negras e negros sem nenhum direito garantido ou alternativas para sobrevivência. O encontro serviu também para a construção de um espaço de confluência de ideias, valorização, autoestima e troca de experiências para o aprimoramento da política pública de promoção da igualdade racial e enfrentamento do racismo. 

O Seminário iniciou com a intervenção cultural do artista e poeta Emerson Santana e da artesã Camila Haruna. A primeira mesa “Roda dos Griôs” foi coordenada pelo presidente do COMPIR, Joselicio Freitas, e contou com convidados como Vitor da Trindade (presidente do Teatro Solano Trindade), que abordou o processo histórico a partir das quatros leis abolicionistas (Lei Eusébio de Queiroz, Lei do Ventre Livre, Lei do Sexagenário e Lei Áurea) e também a Lei da Vadiagem.  

A atriz Dirce Thomaz, que encenou há 30 anos atrás Xica da Silva no teatro, fez menção à frase “Isso sim é serviço de preto”, ressigificando a expressão para a preservação da história do negro por meio do teatro, da dança, da música, da escrita e da cultura. Jofre Santos, artista plástico e escultor, alertou sobre a negação e a distorção da história do negro devido ao racismo em nosso País. Já a pedagoga Jussara Machado, também membro do COMPIR, reafirmou a importância da escrita, dos registros, dos textos e finalizou com a seguinte frase: “Quem fala sobre nós somos nós mesmos! ”.

A auxiliar de enfermagem e membro do COMPIR, Ana Rita da Encarnação, abordou a saúde e as doenças que acometem a população negra, dos estereótipos atribuídos às mulheres negras e da falta de conhecimento das especificidades da saúde por consequência do racismo. Ela encerrou sua exposição afirmando que o Sistema Único de Saúde (SUS) é o melhor sistema público do mundo e fez um apelo para se promover a equidade no atendimento. 

Já a segunda mesa, com o tema “Educação e Cultura para Enfretamento do Racismo”, coordenada por Fernanda Farias da Secretaria de Educação e membro do COMPIR, iniciou com a professora Jerusa Machado, que falou sobre a criança negra na cultura do brincar e a importância do incentivo à autoestima delas. O professor Toninho fez um resgate histórico dos movimentos culturais negros no processo de consolidação do COMPIR, que, para ele, é um instrumento institucional que permite o espaço de diálogo permanente de construção da política de estado como nação e encerrou propondo que o Conselho possa unir as pautas das resistências para identificar e fortalecer a rede de combate ao racismo. 

Regina Claro, historiadora especialista na Lei 10.639/03, disse que é preciso recuperar a história com a transcrição da oralidade e reforçou a importância de se ocupar os bancos das universidades e espaços acadêmicos para "enegrecer" a academia com um olhar focado nas questões negras e indígenas. Para ela, por meio da  lei 10.639, deve-se transformar a ciência em consciência, praticadas no chão da escola: “Ser negro no Brasil é uma escolha política e cada corpo negro é um quilombo revolucionário”, finalizou Regina.

 

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