Você está aqui: Página Inicial » Notícias » Cotidiano

Nos dê flores ou plante um jardim, mas traga seu respeito junto

Por Sandra Pereira | 8/03/2018

dia_internacional

DivulgaçãoHoje de relembrar conquistas, refletir posições e reafirmar lutas por igualdade e respeito

É impossível contar quantas mulheres vão ganhar parabéns, sorrisos e flores neste Dia Internacional da Mulher, 8 março. Na grande maioria das cidades a programação festiva é tão extensa que inviabiliza a participação em todas elas. Tudo isso, não apaga a realidade sofrida da multidão ainda silenciosa de mulheres que enfrentam preconceito, vivem mergulhadas no excesso de trabalho, recebem salários menores, sofrem assédio sexual nas ruas, no transporte público, sobrevivem ao terror da violência física e psicológica dentro de suas casas e resistem ao medo que são submetidas, unicamente por ser mulher. 

Essas mulheres, hoje, talvez vão conseguir sorrir e por alguns minutos esquecer a rotina desumana que carregam sobre os ombros, unicamente pelo fato de terem nascido mulher. Talvez elas consigam uma trégua e paz no meio das suas vidas em guerra.

Quem passa nos pontos de ônibus lotados, especialmente nas primeiras horas da manhã e olha com atenção, já deve ter visto que as mulheres são a maioria neles. Também costumam ser nos ônibus lotados, nas filas, nas ruas, nas escolas, universidades e na maioria dos locais. Mulheres só não são maioria em espaços de poder de destaque e nem entre os que ganham mais. Tem gente que acha isso normal e tudo estava indo bem, até que o silêncio da submissão começou a ser quebrado.

Mas, há a urgente necessidade de políticas sociais que ajudem as mulheres a resistir, sobreviver e criar seus filhos com dignidade, longe da violência. Houve avanços na legislação, redes de proteção antes impensadas estão sendo criadas. É evidente que os governos precisam implantar políticas de geração de renda para as mulheres. É preciso criar e fortalecer as conquistas sociais. Deixar de ignorar que a maioria das casas no Brasil são mantidas com nosso trabalho e suor, mesmo ganhando menos. Entretanto, as mulheres precisam ter acesso a maior crédito, oportunidades e geração de renda. Os governos precisam finalmente entender que o aspecto econômico é essencial à superação da violência.

A revolução feminina em andamento passa necessariamente pelo fim do silêncio acobertador, o empoderamento e o desenvolvimento econômico e social. Há vozes em todos os lugares repetindo que é preciso dar um basta à violência doméstica, de gênero, preconceito, assédio e desigualdade. Cada vez mais, mulheres famosas encorajam as anônimas a resistir, lutar e superar. Essas vozes ganharam o cinema, a mídia, as emissoras de televisão, a arte, escolas e até os times de futebol. O Corithians marcou o coração das mulheres com sua camisa pregando o “respeite as minas”.

É verdade que deixar a condição de violência não garante a sua superação. As marcas invisíveis que abriram feridas em milhares de mulheres não deixam de existir apenas porque nós não as vemos. Há multidões de mulheres enfrentando sérios problemas psicológicos, como consequência dos anos de violência nos lares. É preciso reconhecer que algumas casas são como campos de guerra para essas mulheres que enfrentam sozinhas a violência.

Jornalista Sandra Periera alerta que é preciso romper o silêncio que acoberta os crimes contra mulheres

Hoje, eu queria poder abraçar e encorajar cada uma delas, reascender a esperança e despertar o amor pela vida. Dizer que muitas vidas se perderam em banhos de sangue de violência e intolerância, muitos sorrisos se apagaram em consequência da dor de ser mulher no mundo dominado por homens que parecem odiar a condição feminina e contar que esses homens já não existem mais.

Esse 8 de março nasce diferente, com um apelo mais forte pelo empoderamento, um sopro de esperança e o fortalecimento da luta pelo direito de ser mulher e viver feliz e respeitada. Há corações que vão passar o dia raivosos por causa disso. Há corações que vão vibrar de esperança. Há corações dispostos a se doar pra resistir às muitas lutas e há o seu coração.
Responda dentro do seu próprio coração, que mundo você quer para as mulheres que ama? Lembre que elas vão viver no mesmo mundo que você deseja a outras mulheres. Espero, de verdade, que seja o mundo onde possamos viver em paz, trabalhar com dignidade, andar de ônibus sem ser assediada, sonhar e por em prática toda a capacidade com a qual Deus nos presenteou.

Pode nos trazer flores, um jardim inteiro se quiser, mas traga e pratique o respeito. Faça isso por mim, por nós e por elas.

 

Comentários

As matérias são responsabilidade do Jornal na Net, exceto, textos que expressem opiniões pessoais, assinados, que não refletem, necessariamente, a opinião do site. Cópias são autorizadas, desde que a fonte seja citada e o conteúdo não seja modificado.