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Mães de alunas do TOP 10 revelam traumas e pedem ajuda para evitar outros casos

Por Sandra Pereira | 4/12/2017

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Divulgação - Google ImagensAlunas das escolas Laerte Almeida São Bernardo, Ugo Arduini, Reverendo Denoel Nicodemo Eller, Antônio Ruy Cardoso, Heitor Cavalcanti de Freitas e Inácio Maciel foram expostas em vídeo ofensivo e cunho sexual. 

Estudantes das escolas estaduais Laerte Almeida São Bernardo, Ugo Arduini, Reverendo Denoel Nicodemo Eller, Antônio Ruy Cardoso, Heitor Cavalcanti de Freitas, Inácio Maciel, entre outas, viraram motivo de chacota após a divulgação, quase simultânea, dos chamados vídeos Top 10, que mostram fotos das meninas com frases agressivas, de cunho sexual e erotizadas. Um funk cheio de palavrões e erótico é a trilha sonora do filme horrendo, que na prática, é uma agressão imensa, tanto pelo conteúdo difamatório e ofensivo quanto pelo dano emocional e social que causa às vítimas do Top 10. As mães das vítimas querem que os autores dos vídeos sejam localizados, identificados e se retratem com a suas filhas pelo flagrante desrespeito cometido.

“Mais rodada que catraca de ônibus, já deu pra viela inteira, deu pra metade da escola, cabula aula pra dar, se pedir com jeitinho ela dá, já comi”. Essas são apenas algumas das frases com as quais as estudantes vítimas do Top 10 foram identificadas.

Nesta quarta-feira, 29, a equipe do Jornal na Net foi procurada pelas famílias de algumas dessas adolescentes, relatando todos os problemas enfrentados por elas após a divulgação dos Top 10. Todos querem que haja justiça para as meninas tratadas como objeto sexual por garotos que deveriam ser seus colegas e amigos.

“Minha filha estuda Ruy Cardoso no mesmo dia que o vídeo saiu fui na escola, falei com o vice-diretor Agnaldo, a coordenadora pedagógica Aldenir e o professor Alexandre. Eles ficaram indignados mas a coordenadora disse que não poderiam fazer nada, mandou procurar as meninas do vídeo na porta da escola, e se eu quisesse ir mais a fundo procurasse a Delegacia da Mulher, onde me mandaram procurar a delegacia de Crimes Virtuais, me deram um número que ninguém nunca atende. Saí da delegacia voltei na escola informei para outro coordenador o Paulo e pedi novamente um posicionamento ele me disse que a escola iria se posicionar e até agora nada, as meninas continuam sofrendo com tudo isso, o ano que vem serão outras meninas a sofrerem com essa situação horrorosa”, contou uma mãe.

A maioria das adolescentes alvo do crime, que para os autores é apenas uma “brincadeira”está enfrentando sérios problemas psicológicos, depressão. Algumas se recusam a comer, outras não querem voltar às escolas e nos casos mais graves há garotas que chegam a falar em tirar a própria vida. Por causa do sofrimento das filhas muitas mães e pais não sabem mais o que fazer e querem a apuração dos crimes contra as suas filhas e punição dos culpados.

Não é a primeira vez que os chamados Top 10 são feitos. A cada nova edição meninas muito jovens ainda são difamadas na escola e vizinhança, já que o vídeo ofensivo é disseminado via WhatsApp. Normalmente, os Top 10 são feitos por meninos em tom de brincadeira, mas as meninas que aparece neles sofrem de verdade e comumente chegam a dizer que desejam tirar a própria vida, o que demostra o quanto a “brincadeira” dos meninos faz mal a elas.

O Top 10 está transformando os anos felizes da escola em pesadelo para as meninas que aparecem neles. Essa já é de longe a principal lembrança que as adolescentes alvos da “brincadeira” cruel vão guardar do período escolar. Mas, apesar de todo o transtorno enfrentado pelas meninas vítimas, elas ainda não encontraram o amparo das escolas ou da polícia, que segundo as mais ouvidas se recusaram até mesmo registrar Boletim de Ocorrência.

A verdade é que o Top 10 se tornou uma prática tão absurda, uma agressão tão comum, que precisa ser tratada de forma preventiva. Os autores de todos eles precisam ser identificados e levados a compreender que todo tipo de agressão seja a adolescentes , meninas ou mulheres não deve ser praticada e inclusive precisa ser combatida.

Após a publicação da reportagem, várias mães da escola Sílvia Aparecida entraram em contato com a equipe do Jornal na Net para informar que as suas filhas também foram vítimas do mesmo crime.

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