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A mistura desastrosa do álcool com a 3ª idade

Por Outro autor | 5/10/2017

idade

Divulgação O alcoolismo na terceira idade, segundo a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), não cost

São histórias divididas entre amigos e familiares, mas que, curiosamente (e infelizmente), não tomam a proporção correta a ponto de serem levadas a um médico. O alcoolismo na terceira idade, segundo a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), não costuma ser diagnosticado nessa faixa etária porque os sintomas, muitas vezes, são atribuídos a outras doenças crônicas ou ao próprio envelhecimento. Um grande erro.

O abuso do álcool, no entanto, é tão pouco reconhecido quanto é comum. Uma estatística levantada por pesquisadores norte-americanos de diversas universidades concluiu que, observando o universo das pessoas alcoólatras, um terço delas só se tornou de fato um viciado na terceira idade.

Segundo a médica e pesquisadora Sally K. Rigler, da Universidade do Kansas, Estados Unidos, “um dos grandes problemas nesse tema é que as definições comuns do alcoolismo não costumam ser aplicadas aos mais velhos – pessoas que são vistas como membros ‘fora da sociedade’, que têm muito menos interações sociais e, portanto, não têm de fato um problema com álcool”.

Mas esse é justamente parte do problema. A solidão, frustrações ao longo da vida e questões não compartilhadas com outras pessoas são algumas das principais causas que levam o idoso a buscar o álcool.

“Os idosos tendem a sofrer de problemas emocionais, sociais e de saúde como a viuvez, solidão, perda de amigos, aposentadoria, isolamento social, dores crônicas e diversos outros quadros”, explica Arthur Guerra de Andrade, psiquiatra, especialista em dependência química e coordenador do Núcleo de Álcool e Drogas do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Ele explica que, em situações como essas, o uso de álcool afeta ambos os gêneros e, apesar de ser mais frequente entre os homens, isso tem aumentado entre as mulheres.

“Uma pesquisa nacional demostrou que 12% dos entrevistados com mais de 60 anos foram classificados como bebedores pesados [mais de 7 doses/semana], 10,4% como bebedores pesados episódicos [mais de 3 doses em uma única ocasião] e 3% foram diagnosticados como dependentes”, diz.

Andrade conta ainda que, com o avançar da idade, podem ocorrer mudanças fisiológicas no organismo, aumentando sensibilidade ao álcool. Ou seja: “com a mesma quantidade de álcool, o idoso atinge uma alcoolemia maior do que nos jovens”, diz o médico.

Isso porque com o envelhecimento pode modificar a capacidade de metabolização hepática, da função renal e ter a maior tendência a desidratação.

A questão fica ainda mais grave quando se pensa que o abuso de álcool pode influir fortemente na ação de outros medicamentos dos quais o indivíduo faça uso por causa da idade. O efeito de bebidas alcoólicas pode ser potencializado por outras drogas – e essas interações precisam ser conhecidas e monitoradas por um profissional da saúde.

Porém, essa também não é uma tarefa simples. Ao cuidar de pacientes idosos, geriatras e outros especialistas têm uma grande dificuldade para lidar com o comportamento dessas pessoas e seus familiares.

Quando abusam do álcool e não conseguem controlar suas ações, a maioria dos idosos se sente julgado e mesmo envergonhado; daí os tratamentos, quando a situação é identificada, precisarem de um atendimento individualizado, mas que envolva as pessoas que convivem com o paciente.

Uma abordagem mais flexível e multidisciplinar, que tenha presença mesmo um psicólogo, costuma ser a mais eficiente. Isso facilita a retirada do estigma extremamente negativo da condição e abre caminhos para a melhora do quadro. Infelizmente, uma barreira existe também nesse caso: a questão financeira faz com que muitos idosos evitem abraçar um tratamento completo.

Buscar ajuda e controlar o alcoolismo, no entanto, é ainda mais essencial conforme a idade avança. Especialistas concordam que beber, no caso dos idosos, pode levar a quedas, problemas de coordenação motora ou julgamento e reação a situações. “Ingerir álcool excessivamente agrava diabetes, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, problemas hepáticos, osteoporose, problemas de memória e distúrbios do humor”, finaliza o Andrade.

O alcoolismo entre os idosos pode causar ainda acidentes como os de carro – e existem dados da Organização Mundial da Saúde que ligam o álcool na terceira idade a 30% dos casos de suicídio, 50% dos afogamentos e 50% dos homicídios. Um quadro, portanto, que precisa ser levado sempre em conta, em qualquer idade.

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