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Mulheres de Embu fazem ato e dão grito de alerta contra os estupros e a violência na cidade

Por Sandra Pereira | 15/08/2017

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Divulgação O ato deste domingo foi primeiro grito público das mulheres de Embu das Artes contra os estupros e a violência física. 

Cada vez mais atemorizadas com os casos de estupro e agressões físicas e morais, as moradoras de Embu das Artes realizaram ato no Santa Tereza, contra a violência de que são vítimas na cidade. No domingo, 10, um coletivo de mulheres que reúne lideranças políticas de movimentos sociais e ativistas que atuam contra o machismo e pela igualdade de gênero, em repúdio à agressão sexual contra mulheres e os estupros. Nas últimas semanas, três mulheres foram estupradas na região do Santa Tereza. No último domingo, um homem esqueou a ex no estacionamento de um mercado no centro.
 
As ativistas condenaram a violência doméstica e o machismo institucional. Também criticaram a ausência e a fragilidade dos serviços públicos. Além disso, há relatos até de recusa em registrar BOs de tentativa de estupro. Isso sem contar que as vítimas são humilhadas com perguntas constrangedoras, após terem sofrigo agressão ou abuso sexual.
 
Na ruas, as ativistas bradaram contra os estrupros e a violência em geral. Como é praxe acontecer quando o assunto é a violência sexual os depoimentos das vítimas são chocantes e a participação da sociedade no debate e na busca por soluções ainda é pequena. A maioria das pessoas nem mesmo entende que a desigualdade de gênero contribui para perpetuar a violência e a inércia do poder público.
 
As organizadoras do ato fizeram questão de lembrar que as vítimas de estupro vivem com medo e que por causa disso as mulheres da cidade são orientadas a não sair sozinha e evitar andar muito cedo ou tarde da noite, exatamente no horário em que estão indo para o trabalho ou voltando da faculdade.
 
"Estamos reforçando que as mulheres devem ficar presas, ao invés de dizer que os homens devem nos respeitar. A vítima não pode ser culpada do estupro. A mulher que é agredida pelo companheiro não é culpada pela agressão. O comportamento agressivo é do homem que age assim", disparou uma das organizadoras.
 
A vereadora Rosângela Santos (PT) criticou duramente o machismo. Reclamou do preconceito e do constrangimento que as vítimas enfrentam para a elaboração do BO. “Muitas ainda têm receio de fazer a denúncia por falta de acolhimento adequado, na delegacia vai esperar quatro, cinco horas para fazer BO. Até são julgadas – ‘o que fazia na rua até essa hora?’. A culpa é sempre da mulher. Temos que mudar essa cultura”, disse.
 
O ato deste domingo foi primeiro grito público das mulheres de Embu das Artes contra os estupros e a violência física. A cidade se destaca na região pelo triste título de ser a mais violenta para as mulheres.

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