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Candidatos a prefeito de Taboão opinam sobre o impeachment de Dilma Rousseff

Por Eduardo Toledo - Especial para o Jornal na Net | 21/09/2016

candidatos

Jornal na NetReportagem conversou com candidatos a prefeito e ouviu suas opiniões sobre o processo de cassação 

O impeachment de Dilma Rousseff no último dia 31 provocou a manifestação política dos candidatos a prefeito de Taboão da Serra. Dos seis candidatos, três foram a favor (Fernando Fernandes, Evilásio Farias e Vitor Medeiros), outros dois disseram ser contrários ao impeachment (Aprígio e Stan) e Buscarini se limitou a dizer que o impeachment “foi uma questão política”, não se posicionando claramente se é contra ou a favor da cassação.
Nossa reportagem conversou com os seis postulantes ao cargo de prefeito e ouviu suas opiniões sobre o processo de cassação e se eles acreditam que a conjuntura política e econômica do país melhore após o impeachment.  A seguir, as razões de cada candidato a prefeitura de Taboão da Serra:

Fernando Fernandes

O prefeito Fernando Fernandes, do PSDB, adversário histórico do PT, disse ser favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. Fernandes lembrou que em Taboão da Serra o PT está apoiando a campanha de Aprígio, que segundo ele, esconde o apoio do partido a sua candidatura. “O Aprígio precisa mostrar que está com o PT. Até agora ele não fez isso”, disse.
Fernando Fernandes avalia que não houve golpe, como dizem os partidários de Dilma, e afirma que quem afastou a presidente do poder foi a população brasileira. O prefeito contou que não é favorável que haja nova eleição.  “Vou torcer para o governo Temer dar certo. Agora se não der ele vai sair pelo voto daqui há dois anos.  A gente tem que lembrar que quem caçou a Dilma não foram os políticos, foi o povo brasileiro. O movimento que houve no Brasil pedindo a saída dela foi que provocou o impeachment. Não existe um golpe presidido pelo presidente do STF. Isso é conversa pra boi dormir”, declarou.

Aprígio

O candidato do PSD, Aprígio, se posicionou contra o impeachment, apesar do seu partido ter votado favorável por unanimidade a cassação de Dilma Rousseff no congresso. “O problema é político, sabemos disso. Para sair a Dilma, defendo que saia toda a chapa, inclusive o vice, que usou o mesmo dinheiro, as mesmas pessoas para se eleger, então eu imagino que é um golpe.
Aprígio que tem o PT no seu arco de aliança na candidatura a prefeito, disse que após o impeachment efetivado, o país precisa discutir sobre uma nova eleição direta. “Sou a favor de novas eleições, aí seria um processo democrático, seria uma coisa honesta. Mas fazer o que eles fizeram não sou a favor. Novas eleições seria ótimo. E o país sair da crise muito rápido eu não acredito”.

Evilásio Farias

Apesar de nos dois mandatos que foi prefeito ter tido uma forte aliança com o PT, inclusive tendo sua vice, Márcia Regina, filiada no partido, Evilásio disse que segue a posição do seu partido, o PSB: “Eu costumo ser leal ao partido. O nosso partido na Câmara dos Deputados votou pelo impeachment. E eu sempre votei em consonância com os desígnios e decisões do partido”. 

Evilásio, que foi deputado federal por dois mandatos, ainda defende novas eleições: “acho que tem que preconizar o que está na constituição. Queriam para outubro eleições conjuntas, mas é impossível. O vice é o sucessor automático do titular em caso de morte ou qualquer outra situação. Já aconteceu isso antes quando o Fernando Collor foi cassado [em 1992]. Infelizmente ou não, a Dilma foi cassada e o vice é o Michel Temer constitucionalmente, garantido no cargo”.

José Vicente Buscarini

Buscarini, do PV, partido que votou a favor do impeachment, disse que a cassação foi uma questão política. “Eu não creio que a presidente tenha cometido qualquer crime de responsabilidade. Até porque, não é ela que faz. Como prefeito, governador, tem um grupo de especialistas, de jurídico, eu acredito que foi político. Porém, temos que respeitar”. 

Buscarini ainda disse que é preciso ter calma com as expectativas: “O impeachment foi feito e acredito que todos tiveram o direito de defesa, o congresso entendeu que deveria ser aprovado o impeachment, agora vamos olhar para frente e aguardar o atual presidente [Michel Temer] ver se tem capacidade de governar esse país. O empresário e o povo quer paz e não guerra. Nós demoramos um ano quase para ficar nesse imbróglio total de ‘tira e coloca’. Outros terão que ser cassados até por [crime de] responsabilidade”.

Stan

O candidato a prefeito do PSOL, Stan Szermeta, disse que segue a orientação nacional do partido de ser contra o impeachment. Para ele o processo é uma farsa, um golpe, que vai resultar na retirada de direitos históricos da população. Para Stan o impeachment é uma armadilha das elites brasileiras contra os trabalhadores. Ele disse ser contra o ajuste fiscal feito pela presidente e disse que o programa de governo dela não atendia aos interesses sociais do país. 

“Eles, defensores do impeachment  criaram uma instabilidade jurídica. A crise está instalada. Ela não é uma fabricação do governo brasileiro, está instalada no mundo. O modelo neoliberal está trincado no mundo. Esse golpe foi orquestrado para retirar direitos brasileiros. Estão vendendo o Brasil, quebrando os direitos e entregando ao capital estrangeiro”, avaliou. 

Stan defende a realização imediata de novas eleições e greve geral contra o governo “golpista”, que segundo ele vai atacar a previdência, promover a terceirização e acabar com direitos sociais.

Vitor Medeiros

O candidato do PSL, Vitor Medeiros, declarou que foi favorável ao impeachment da presidente. “ Eu fui a favor do impeachment da Dilma, ela não foi condenada apenas por essa primeira acusação [pedaladas fiscais], existem outras acusações que já davam o impeachment pra ela, não anexaram ao processo porque teria que começar tudo de novo e o Brasil ia continuar sofrendo sem uma liderança fixa. Não tenho dúvida nenhuma, a Dilma errou e o impeachment é para quem erra. Essa é a realidade”. 

 Medeiros ainda disse que Temer pode trazer uma segurança econômica e política para o Brasil. “ Não tenho dúvida nenhuma que o presidente pode fazer muito para o nosso país. Sinto que ele sabe o que fala, acredito que teremos novidades positivas. Já estamos tendo, se você olhar bem o Brasil já está crescendo. Já começou a vender mais veículos e imóveis. Então quando sai  imóveis e vende veículos, é porque a construção está em alta. A construção é o pulmão do Brasil, onde há obra, há economia positiva, fonte de renda e é isso que estou analisando e enxergando para concluir que está dando certo”. 

Medeiros se posicionou contra novas eleições: “Não sou a favor de novas eleições. Temos que dar uma oportunidade para ele [Michel Temer], ele tem uma equipe positiva, temos que dar essa oportunidade para ele mostrar o trabalho dele. São só dois anos, ele merece esta oportunidade”.

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