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Divergência em código de doença impede que menino de 12 anos tenha gratuidade no transporte de Taboão

Por Amanda Marques | 26/10/2015

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Arquivo PessoalJhosuan é cadeirante e não consegue gratuidade no transporte público.

Pais de uma criança de 12 anos portadora de deficiência física, Marcos Rocha e Tatiana Corrêa enfrentam uma dificuldade para garantir que ele tenha gratuidade no transporte público de Taboão. O filho deles, Jhosuan Corrêa, tem um problema de mobilidade e não consegue andar devido a má formação genética. Ele se movimenta com a ajuda de uma cadeira de rodas e precisa com urgência de uma carteirinha para usar gratuitamente o transporte público de Taboão da Serra. 

Marcos declarou que diante da necessidade do filho, todo o processo desde a atribuição do laudo médico até a apresentação ao Serviço Especializado de Reabilitação (SER) foi realizado, porém nada foi feito. Segundo ele o fato é que Jhosuan é portador de uma deficiência física que não consta no CID do município de Taboão. 

A Classificação Internacional de Doenças (CID) é publicada pela Organização Mundial da Saúde e visa padronizar a codificação de doenças. A lista do CID fornece códigos que classificam sinais, sintomas, queixas, circunstâncias sociais etc. Por meio dele, cada categoria corresponde a uma doença. 

Em Taboão da Serra, a família de Jhosuan recebeu a informação de que a carteirinha para transporte público esta disponível apenas para crianças portadoras da deficiência de pé torto.

Segundo o relato do pai de Jhosuan, a AACD fez um trabalho eficiente e seguiu os padrões médicos. Ele informou que o filho faz o acompanhamento há anos na instituição e por meio dela, conseguiu que Jhosuan fizesse todas as 14 cirurgias que eram necessárias. 

Depois da recusa do Serviço de Reabilitação de Taboão da Serra, em aceitar o primeiro ludo médico com o CID descrito, a família teve de retornar e pedir outro laudo. O médico da AACD, ciente das dificuldades encontradas para a obtenção da carteirinha, prescreveu um novo laudo com um CID universal, que contempla casos como o de Jhosuan. 

Marcos e Tatiana, novamente encaminharam o lado ao serviço de reabilitação, mas foram informados que mesmo com o novo número, não seria possível conceder a carteirinha. Segundo Marcos, a resposta do SER é que a disponibilização do documento de transporte comtempla apenas crianças que possuem a deficiência do pé torto, o que não é o caso do pequeno Jhosuan.

O relatório médico da AACD entregue aos pais dizia: “Paciente com dificuldade à locomoção, com contratura de membros inferiores, não deambula. Restrito a cadeira de rodas. Dependência motora. Solicito transporte com acompanhante”. 

Marcos Corrêa declarou a reportagem do Jornal na Net, que a família foi informada pelo SER que o CID de Jhosuan não era compatível ao do município. Impossibilitando mais uma vez, que a carteirinha do ônibus fosse concedida ao menino. O pai e a mãe irritados com a situação desabafaram: “Quero deixar aqui o nojo que sinto dessa corja, desses desumanos que tratam os portadores de deficiência física dessa maneira”. 

Mesmo com as extremas dificuldades levantadas pela família de Jhosuan, os pais conseguiram comparar um veículo adequado para a locomoção do filho, mas deixaram o recado e mostraram preocupação com outras pessoas que passam pelo mesmo constrangimento: “Eu graças a Deus consigo um carro para meu filho andar, mas tem muitos que não os tem!”. 

Os pais de Jhosuan resolveram manifestar a revolta pelas redes sociais e pediram que os amigos apoiassem a causa, para tentar chamar atenção da comunidade e das autoridades para o problema.  Eles não economizaram nas críticas ao SER e afirmaram que a instituição não entende de deficiência física. 

Ele mencionou que os motoristas sentem pena da situação, mas não conseguem ajudá-los, pois sem o documento que permite a gratuidade, nada pode ser feito. Há oito meses, Marcos e Tatiana aguardam a resposta da Prefeitura, mas segundo o casal, eles não obtiveram retorno. 

O desabafo

"Hoje eu e minha família nos sentimos impotentes com essa situação. Temos a consciência e é fato que meu filho precisa e tem que receber o que é lhe dado por sua situação. De fato não ficamos felizes em precisar de tal ajuda, gostaríamos muito que ele não tivesse tal necessidade. Se agente reparar, a maioria dos ônibus não possui sequer estrutura para transportar portadores de deficiência física". 

"Eu não posso acreditar que somente quem tenha pé torto tenha esse direito e os cadeirantes não. Hoje sinto mágoa por essa falta de respeito dos que se dizem médicos aqui na cidade", encerrou o pai do pequeno Jhosuan.

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