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Manifestação contra o fechamento de escolas interdita BR116 em Taboão

Por Amanda Marques | 10/10/2015

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Amanda Marques Estudantes e professores tomaram duas pistas da via e levantaram cartazes contra a reorganização da educação

A manifestação contra o fechamento das escolas estaduais de Taboão da Serra foi audaciosa e conseguiu grande atenção da comunidade na última sexta-feira (09). Alunos e professores da escola Catharina Comino iniciaram os trabalhos partindo do Parque Pinheiros até chegarem à BR116, que foi interditada para a passeata dos estudantes. Outras escolas como o EE Nigro Gava participaram do movimento e integraram o grito de guerra que pedia o não fechamento das escolas.

Em entrevista ao Jornal na Net, o professor e organizador do evento, Wiliam Felipe disse que as famílias devem ter o direito de escolher onde seus filhos vão estudar. A reorganização, do ponto de vista de Wiliam, deveria ser pautada pela abertura de escolas, não pelo fechamento delas.

 “Na verdade se trata de uma medida que Alckmin seguindo a mesma coisa que o Governo Federal está fazendo, ou seja, uma crise que nós não criamos e que agora nós temos que sofrer as consequências dela. Querem reduzir os investimentos em saúde, educação, em moradia popular, ou seja, naquilo que esta faltando. Então apesar de todo o discurso de que vai melhorar, na prática, essa reorganização vai piorar ainda mais as condições de trabalho, as condições de ensino, com um único objetivo: reduzir no caixa do governo o investimento em educação, para ser aplicado em áreas como o pagamento da dívida e na corrupção”, comentou o professor. 

Miguel Leme é coordenador da Apeoesp (Sindicato dos Professores) e afirmou durante a passeata que a decisão de implantar o fechamento de escolas foi feita sem consultar a comunidade, os alunos e os professores. Miguel comentou que após a manifestação da última terça-feira (06), a escola Sara Sanches e a Tadakiyo Sakai não vão sofrer com a reorganização em um possível recuo do governo e ressaltou: “Vai depender da pressão popular, isso que nós estamos fazendo agora, com a participação de alunos, funcionários, pais e professores”. 

Segundo Miguel, aproximadamente 400 estudantes do ensino médio no Catharina terão de ser remanejados à escola Adenilson dos Santos Franco, na qual, ainda de acordo com ele, foram mal recebidos pelo diretor. Ele também mencionou sobre as questões de mudança de identidade dos alunos, possíveis conflitos que ocasionarão violência, superlotação de salas, abandono de turmas noturnas em função da distância, etc. 

“Vai ser um barril de pólvora, um quadro de destruição mesmo, uma quebra do trabalho pedagógico”, levantou Miguel. 

O professor de Língua Portuguesa Daniel Tomaz, trabalha na escola Catharina Comino e disse que o remanejamento dos alunos é tratado de forma opressiva. Daniel mencionou o livre arbítrio que os alunos não têm, ao escolher as escolas para onde vão. 

“Eu acho que os alunos estão dando aula até para professores... Eu acho que eles estão ensinando a nós professores com unir uma classe”, declarou Cesár Dias, professor de história na escola Catharina. Ele pontuou que foi a primeira vez que o grupo se reuniu verdadeiramente, enfatizando que o fato da interdição da BR. 

Com um tom de indignação, Samara Matos cursa o terceiro ano do ensino médio no Catharina que tem entre outros pontos positivos, a estrutura e o ensino de qualidade. A estudante comentou que desejava prestar uma faculdade e atuar lecionando na escola. “Eles estão investindo em pegar alunos e transferir para outra escola e isso não vai trazer benefícios para ninguém. Eu quero sair do terceiro colegial, entrar em uma faculdade e ter orgulho de falar que eu lutei pela minha escola”, desabafou a estudante. 

Alunas da escola Nigro Gava, Naira Ketelin e Clara Marques já pensam sobre como será difícil assistir aulas em salas superlotadas: “Imagina como as salas vão ficar superlotadas? Os professores não vão conseguir dar aula!”. Os jovens estão realmente envolvidos com a causa e temem que o governo feche as escolas de fato. Naira e Clara disseram que os professores terão de escolher onde vão dar aulas e que na disputa entre as escolas municipais e estaduais, talvez elas fiquem sem professor. 

Segundo as estudantes, há anos a escola está sem quadra, o que dificulta o trabalho da matéria de educação física. Naira disse que se o remanejamento para a EE Lúcia acontecer, por conta das diferenças de identidade, haverá brigas e assinaturas de advertências diárias.

Vários alunos e docentes mencionaram que o governo não informou sobre a reestruturação do ensino, o que na medida em que a manifestação ganhava mais alcance, a revolta na mesma proporção se tornava latente. 

Flávio Balduíno leciona geografia na EE Nigro Gava. Ele reiterou a fala dos demais professores que tem por objetivo enfatizar para que as manifestações colaborem em uma possível recuada no fechamento das escolas. Flávio contou que pertence à categoria não efetiva e que está preocupado com a instabilidade de emprego no ano letivo de 2016.

“Para chamar atenção mesmo ao que está acontecendo no Estado de São Paulo, porque infelizmente o nosso governador Alckmin quer sair candidato à presidente, não vamos deixar ele estragar o Brasil”, encerrou o professor. 

O encontro com a diretoria de ensino 

Durante a reunião com a dirigente de ensino Maria das Mercês, o clima foi tenso e exigia explicações. Pais e estudantes colocaram suas ideias e propostas. Por diversas vezes enfatizaram as mudanças extremas que podem se aplicar à vida de cada um. Mas Maria foi sucinta e informou que a reorganização proposta pelo governo é positiva. 

A dirigente defendeu a decisão e acredita que a divisão dos ensinos fundamental e médio é necessária para um melhor resultado. “É claro que os interesses desses que já estão no ensino médio são diferentes. Quando agente mistura os segmentos, nós não damos a chance da criança na sua idade certa, conversar com crianças da mesma idade”, explicou Maria. 

Ela reiterou sustentando seu argumento de que o jovem não tem interesse em compartilhar os mesmos espaços das crianças, por conta de estarem vivendo outro momento.

A ideia foi questionada e rebatida por uma aluna do terceiro ano do ensino médio, que discutiu o posicionamento da dirigente e disse que sim. Eles gostam de se apresentar como exemplo aos alunos menores e querem fazer isso. 

Maria ressaltou que não deseja prejudicar nenhum dos alunos da cidade e que a iniciativa foi enviada ‘de cima’.

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