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Alunos, pais e professores protestam contra fechamento de escolas em Taboão e Embu

Por Amanda Marques | 6/10/2015

protesto

Amanda Marques

Estudantes, pais de alunos e professores das escolas estaduais Tadakyo Sakai, João Martins e Alípio Oliveira e Silva fizeram hoje (6) um ato em frente à Diretoria de Ensino de Taboão da Serra, onde estão localizadas as unidades, para protestar contra o governo estadual, que dividirá os colégios estaduais em ciclos de ensino, obrigando os alunos a mudar de escola a partir do ano que vem. A proposta foi apresentada às diretorias de ensino no dia 22 de setembro. O objetivo é que as unidades ofereçam classes de um dos três ciclos dos ensinos básico (anos iniciais, do 1º ao 5º, e finais, do 6º ao 9º), fundamental e médio. A ideia é que os alunos estudem a no máximo 1,5 quilômetro da unidade em que estão matriculados.

Fernanda Pires é aluna do Alípio e disse ser muito difícil aceitar o fechamento da escola. A aluna de 16 anos que cursa o 2°ano do ensino médio, comentou que criou laços com os professores e com a história da instituição, que recentemente recebeu uma reforma de adequação para atender as necessidades de deficientes físicos.  

“Eu acho injusto, logo a nossa escola, cheia de infraestrutura para receber um porte até maior de alunos”, declarou Fernanda. 

Para o aluno Diego Fernando Freire de Araújo, 17 anos, da Escola Tadakyo Sakai, muitos amigos serão prejudicados, porque trabalham durante o dia e estudam à noite. “Com a mudança para outra escola, ficará mais longe e com acesso mais difícil. Tenho amigos de diversos anos que, se tiverem que escolher entre trabalhar e estudar, vão escolher a primeira opção.”

Ademilson Almeida é professor da escola Alípio e explicou que outra luta do sindicato é reduzir o número de alunos por sala de aula. Ele afirmou que as turmas estão superlotadas, prejudicando o aprendizado e fixação dos conteúdos pelos jovens. “A redução de alunos, facilita a melhora da qualidade da educação. Eu acho que o conselho estadual tem que estar levando isso como política pública e não como política econômica. Escola não dá prejuízo!”, ressaltou o professor. 

“É outra comunidade, outra realidade, não se sabe se esse grupo vai estar junto. Então essa reorganização com o fechamento de escolas, é prejudicial a todos, tanto a comunidade, quanto ao grupo de professores que são os mais atacados. Nós estamos a oito dias do dia do professor e a facada que recebemos é isso, é demissão de colegas, é professor ficando adigo, ou seja, estudou, se formou e vai ficar disponível”, desabafou Ademilson. 

Um dos pontos importantes destacados por ele foi a questão dos professores não efetivos. Segundo Ademilson, esses profissionais correm o risco de serem demitidos. Ele comentou que os que são assegurados pelo estado, serão remanejados às outras escolas, na mesma perspectiva dos alunos. 

O professor de sociologia, Sérgio de Brito Garcia trabalha na escola João Martins e afirmou que a educação deve ser feita com diálogo, o que de acordo com ele, não está acontecendo com o atual governo. Ele reforçou o fato da superlotação de salas de aula e informou que a mistura de tribos e interesses, podem resultar em atitudes de violência nas escolas. Outro aspecto levantado por Sério foi a adaptação dos alunos com relação às novas gestões e direções, ele ressaltou: “Eu por exemplo, tenho alunos que começaram desde o primário e que estou entregando eles para a universidade. Quer dizer, é dedicação e a relação com esse professor não pode ser descartada. E ai é um contrassenso do governo, que diz que o aluno tem que ter realmente uma afinidade com o professor, com a escola, com a comunidade”. 

Diego Fernando tem 17 anos, é aluno da escola Tadakyio Sakai e foi muito enfático durante seu posicionamento. Diego comentou que tem o sonho de ser professor e atuar na área da educação. Ele manifestou indignação sobre o fato do fechamento de turmas do ensino noturno. Segundo ele, muitos amigos não conseguirão chegar do trabalho e ir até outra escola em função da distância.

O jovem destacou que seus atuais professores são totalmente qualificados e não quer que eles fiquem desempregados. “Eu gostaria de fazer um apelo ao governo: não fechar escolas, não municipalizar o ensino, porque, se já não oferecem um ensino de qualidade assim, já tem muito desvio de verba, imagina tendo mais verba pra desviar”, finalizou. 

Caio de Lima, estudante do 2° ano do ensino médio no Alipio, foi mais um a ressaltar a questão da distância que os alunos terão de enfrentar para chegar à outra escola. Caio disse que o assunto deveria ser abordado junto à comunidade e não exclusivamente pela Secretaria de Educação. “Acredito que só após o dia 08, nós saberemos pra onde vamos então agente está à deriva”, encerrou o estudante.

Aluna da escola Domingos Mignoni, Tainá de Souza estuda há sete anos na instituição e é muito engajada nos interesses de sua escola. A estudante disse que o EJA (Educação de Jovens e Adultos), será retirado do quadro de aulas. Tainá afirmou que muitos alunos que fazem o EJA, serão remanejados e não terão a oportunidade de se formar na escola que tanto os ajudou. “Eles querem se formar com os professores que os incentivaram”, terminou. 

Vania Perejon é professora de Língua Portuguesa na escola Tadakyio Sakai e informou que os alunos disseram que infelizmente entre o trabalho e a escola, eles, diante da crise do país, terão de escolher pelo trabalho. A professora disse que a exclusão do ensino noturno na escola, prejudicará mais de 450 alunos, que sofrerão o remanejamento. 

De acordo com Vania: “E ai de novo a educação vai pro ralo ‘né’, porque se a prioridade é educação, infelizmente nós não estamos tendo nesse momento, com essa reorganização da maneira que está sendo feita. Imposta sem fazer uma consulta, sem saber que o aluno tem uma identidade, uma escola não é um prédio, ela tem uma história”. 

Ela encerrou dizendo que dez salas serão fechadas no período noturno e quase 500 alunos serão remanejados a outro espaço, no qual não possuem nenhuma identidade.

Jaci Nascimento de Souza é mãe de Yasmin de 13 anos e acredita que com a lotação das salas, sua filha não conseguirá prestar atenção nas aulas. Ela teme que Yasmin sofra com a mudança de escola, principalmente pelo fato dos outros alunos já estarem adaptados. “Se com poucos alunos os professores já não conseguem dar aula, com muito mais, vai ficar pior”, ressaltou Jaci. 

Conselheiro da subsede Taboão da Serra da Apeoesp (sindicato da categoria), Antônio de Jesus Rocha afirmou que a medida foi tomada sem nenhum diálogo com a comunidade escolar. “Foi a toque de caixa para implementar rapidamente, sem a comunidade ter conhecimento. Isso implica demitir professor e prejudicar estudantes. Estamos aqui para impedir que isso ocorra”. Segundo ele, os professores protocolarão na Diretoria de Ensino um documento com as reivindicações.
De acordo com a Secretaria da Educação, o processo de readequação está em estudo e não houve ainda a decisão de fechar escolas. A ideia é de que as unidades tenham ciclos únicos, porque há estudos indicando que o aluno tem rendimento 10% maior nesse modelo. Além disso, a secretaria informou que, desde 1998, as escolas estaduais deixaram de receber 2 milhões de matrículas. Por isso, a necessidade de readequação.

Conforme a secretaria, as mudanças levarão em conta as especificidades de cada região. Elas serão informadas para alunos e pais em uma reunião no dia 14 de novembro, data em que também serão informadas as novas escolas dos alunos. 

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