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Familiares de vítimas comovem participantes de audiência da Comissão de Saúde em Taboão

Por Sandra Pereira | 1/04/2015

saude

Sandra PereiraAudiência pública de saúde reuniu vereadores, moradores, familiares das vítimas e profissionais da secretaria de Saúde

A dor dos familiares dos dois jovens que perderam suas vidas recentemente no pronto socorro do Antena tomou conta do plenário da câmara municipal durante as mais de 5 horas de duração da audiência pública de saúde realizada nesta terça-feira, 31, na Câmara de Taboão da Serra. Não havia entre os participantes quem fosse capaz de ignorar o sentimento e irreparável dos parentes da jovem Rosemeire Manfrim,  25 anos e de  Hélio Milke da Silva, 29. Ambos morreram no Antena e as famílias reclamam que houve negligência no atendimento. 

A secretária Raquel Zacainner prestou contas da pasta, respondeu aos questionamentos e disse que o compromisso do governo é melhorar a saúde em Taboão. Ela citou os investimentos feitos, criticou a falta de repasse do governo federal para a UPA e disse que a meta da gestão é dar qualidade ao atendimento. Já os dirigentes da Sociedade Paulista de Medicina (SPDM), que gerencia os prontos socorros da cidade não compareceram e enviaram representantes.  

Audiência pública transcorreu em clima de comoção durante mais de cinco horas. Todos os presentes fizeram falas pedindo esclarecimentos sobre os fatos que levaram a óbito os dois jovens. Coube a secretária de Saúde, Raquel Zaicaner, a missão de responder aos familiares. Ela cumpriu o papel sem fugir das suas responsabilidades. Se comprometeu a receber os familiares das duas vítimas e não escondeu o quanto era cortante e constrangedor ter que tratar das mortes, quando o compromisso da saúde é com a vida. 

 Raquel Zaicaner disse que era impossível não se comover com as mortes. Lembrou que a saúde Taboão estava um caos quando o atual governo assumiu.  Ela disse que o governo ainda não fez tudo, mas que houve melhorias.  

“Tenho certeza que nossa saúde está melhor do que as outras cidades da região. Prova disso é que nós temos 20% de pessoas de outras cidades sendo atendidas aqui em Taboão. Todo mundo aqui nessa Casa conhece gente que foi salvo nos nossos serviços de saúde. Eu não viria a essa audiência pública se não tivesse compromisso com a vida. Pra mim a vida é o bem maior. Mas  não posso deixar de falar que nós fizemos mais de 18 mil atendimentos no Antena e mais de 14 mil atendimentos na UPA. Tenho que falar do esforço do prefeito Fernando Fernandes para resolver o problema da saúde aqui na cidade. O serviço hoje é muito melhor. Não posso esconder que a Upa é um engodo porque até agora nós não recebemos os mais de R$ 3 milhões que o governo federal deveria repassar à cidade”, relatou a secretária. 

A presidente  da Comissão de Saúde, vereadora Joice Silva, se solidarizou com as famílias enlutadas. Disse que só Deus pode confortar aos familiares e avisou que a comissão vai exigir respostas sobre as mortes. 

 “A única ajuda que nós podemos dar a vocês nesse momento são respostas corretas. Saibam que respeito cada um de vocês. Entendo a dor de cada um e como presidente da comissão estou satisfeita por permitir que a doutora Raquel pudesse vir aqui e ouvir vocês. Se tiver erros  que eles sejam corrigidos. Se tiver maus  médicos que eles sejam trocados. Tenho compromisso com o governo do prefeito Fernando Fernandes mas o meu compromisso maior é com a população e eu vou fazer o impossível pra trazer essas respostas. As famílias merecem”, disse a presidente.

Todos os vereadores presentes na audiência fizeram falas pedindo que haja mudanças de procedimentos no atendimento aos pacientes nas unidades de saúde Taboão da Serra, a fim de impedir que novas mortes venham acontecer na cidade. 

A mãe da jovem Rosemeire Manfrin lamentou o fato de ter levado a filha com vida ao Antena e reclamou de ter recebido de forma fria o comunicado do falecimento dela. Logo no começo de sua fala ela emocionou os participantes ao dizer que não ia desejar bom dia porque como mãe ela jamais voltaria a ter um bom dia após ter perdido uma filha de forma tão inesperada e precoce. Graciele Manfrin, irmã de Rose, também usou a tribuna pra falar da perda dos familiares. Ela disse que é urgente a necessidade de mudanças no atendimento. 

“A médica não fez nada para atender minha irmã. Eu amo morar em Taboão mas a saúde está muito ruim. Isso não pode continuar eu quero saber o que minha irmã tinha. Ela entrou no Antena falando, rindo e saiu morta. A médica que veio até nós comunicar o óbito parecia que ela estava repassando uma receita de bolo”,  afirmou a irmã.  “Quero justiça e vou até o fim pra saber o que aconteceu, pra saber do que a minha filha morreu”,  avisou a mãe da jovem Rose.

A esposa de Hélio Milke da Silva fez um pronunciamento emocionado e relatou a peregrinação que a família fez  ao  buscar de atendimento para ele, depois de descobrir que o jovem estava com dengue. O rapaz apresentava sintomas como febre alta, dores no corpo e manchas na pele. Ele chegou a ser atendido no pronto socorro da USP, mas também teve alta passou na UPA e foi ao Antena onde faleceu.

 “O que eu faço agora?  Tenho uma filha de 2 anos pra criar. Como eu vou fazer isso? Afirmou com voz embargada. 

O vereador luiz Lune se disse estarrecido com o tom dos depoimentos dos familiares das vítimas. Depois de relatar o caso de uma pessoa que acompanhou de perto e ajudou a obter atendimento disse que sentia traidor do povo ao atender uma pessoa em detrimento de tantas outras.

O vereador Moreira lembrou que em seis meses foram registradas nove mortes no Antena. Voltou a falar sobre o caso das gestantes que perderam a vida e que as famílias até agora não se conformam. Em tom firme Moreira declarou que a única diferença entre a Iacta e a SPDM era o fato de que a segunda custa mais caro à cidade. 

 O líder do governo, vereador Eduardo Nóbrega, disse que não abrirá mão de cobrar a equipe responsável pela saúde na cidade e que não abre mão de se cobrar junto. Ele chamou para si e para todos os vereadores a responsabilidade sobre atendimento de saúde prestada aos moradores de Taboão da Serra. Ele voltou a puxar a orelha dos dirigentes da SPDM na cidade os médicos Nancime e Jorge Salomão.


“Ainda não tenho condições de olhar para os dois e dizer que eles fazem pilantropia. Mas se  não responderem a próxima convocação dessa Casa quero avisar que esses dois vão começar a atender em outra cidade e não em Taboão Serra”, disse em tom de intimação o líder do governo.

O presidente da câmara municipal afirmou que vai requerer que o Conselho Regional de Medicina (CRM) que  agilize as investigações para dar resposta urgente sobre o atendimento dado aos dois jovens pacientes. Ele contou aos presentes que há uma semana enfrenta a dor de ver a própria mãe em coma no Hospital Geral do Pirajuçara, onde foi submetida a cirurgia de emergência. 

Já o vereador Marcos Paulo cobrou do governo federal o repasse de R$ 3 milhões para a UPA. Ele criticou a ausência dos diretores da SPDM que foram convocados pela Câmara e acabaram não comparecendo. O vereador elogiou a postura firme secretaria Raquel Zaicaner que esteve no local ouviu todas as críticas dos familiares e respondeu a cada uma de forma corajosa.

O vereador Ronaldo Onishi pediu apuração de todas as mortes. Falando diretamente à esposa do jovem Hélio Milke ele disse que sentiu o coração partido ao ouvir o sofrimento da sua peregrinação. “Eu sinto a sua dor. Agora nós precisamos de uma resposta. Se tiver que punir os culpados assim o faremos”, alertou, acrescentando que era preciso alterar processos e procedimentos para evitar nova novas mortes. 

A voz embargada de todos os vereadores deixava clara a emoção que tomou conta dos participantes da audiência pública em razão dos relatos das mortes.

Pouco antes da audiência pública chegar ao fim, e irritado por não poder usar o microfone por mais tempo, o vereador Luiz Lune disse que “tudo ali não passava de um teatro” rasgou o papel que trazia em mãos e se retirou dos trabalhos da comissão de saúde que ainda se estenderam por quase uma hora. 

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