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Crianças e adolescentes enfrentam bullying nas escolas

Por | 1/08/2010

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Crianças e jovens ainda enfrentam bullying nas escolas

Agressões físicas ou psicológicas podem inibir as vítimas que enfrentam o Bullying na escola, no trabalho ou até no grupo dos chamados “amigos”. Consequência essa que pode afetar seriamente a vida social da pessoa afetada, prejudicando o seu desenvolvimento, necessitando de uma ajuda psicológica.

Os pais do adolescente H.Alves, não entendiam porque o filho se recusava a ir para a escola. Todos os dias eram necessárias muitas conversas, acolhimento e até bronca para tentar finalmente convencer o jovem a frequentar as escolas como os seus demais colegas.

Lídio e Leoni Alves contaram a Reportagem do Jornal na Net que não era possível acompanhar o filho até o colégio, afinal os dois trabalham fora para sustentar o lar e o único jeito que eles acharam conveniente era a conversa. “Todos os dias antes de sair para o trabalho conversava com o meu filho, deixava a mochila arrumada, a roupa passada e o lanche preparado para que no horário da aula ele fosse até o colégio, próximo da minha casa”, contou Leoni.

Mas essa atitude não surtiu efeito segundo ela. “Acreditava que meu filho ia a escola, mas em um certo dia, na reunião de pais e mestres fui até a escola, lá descobri que meu filho tinha frequentado a escola somente cinco dias durante o mês”, relatou.

Foi depois de muita conversa, principalmente com os professores que a mãe entendeu o motivo pela desistência do filho. “Descobri que meu filho quando frequentava as aulas, ficava acuado, sozinho em um canto, e não tinha amigos, foi neste momento que lembrei de atitudes estranhas no comportamento dele, que chorava quando tocava no assunto de ir para a escola, ou até mesmo de fazer a lição de casa”, desabafou.

Após conversa mais amiga com o filho, os pais de H. Alves decidiram encaminhar o filho para um tratamento específico (com a psicóloga) duas vezes por semana. “A nossa atitude mudou o comportamento do meu filho, agora ele não chora de maneira desperadora para ir até o colégio e quando chega da escola conta as brincadeiras com seus amigos, todo animado”, concluiu.

Em entrevista com o adolescente H.Alves o Jornal na Net conseguiu descobrir que era bullying que ele enfrentava. “Desde pequeno uso óculos e não podia tirar do meu rosto, porque não enxergo sem ele. Muitos meninos da mesma idade que eu e da mesma sala me chamavam de ‘quatro-olhos’ e não queriam ser meus amigos. Precisei então fugir da escola, não queria mais frequentar”, desabafou emocionado.

Além do caso de H. Alves a Reportagem do Jornal na Net pode constatar em pesquisa realizada que diversas crianças e adolescentes passam por situações parecidas e que muitas vezes escondem de seus pais o real motivo de seu comportamento.

Segundo a Psicóloga Deborah Guedes o adolescente H.Alves pode sim ter sofrido bullying “através de agressões repetidas, com intenção de magoar, realizadas por algum colega que, de certa forma mantinha poder ou alguma forma de autoridade na escola”, acredita.

Guedes explicou que as ferramentas utilizadas na prática do bullying são variadas. “Podem ser concretas como o próprio corpo utilizado para golpear, das tapas e chutar, ou também podem ser subjetivas como a fofoca, calúnia, mensagem difamadora por e-mail ou mensagens de texto (SMS)”, disse.

De acordo com a Psicóloga os pais precisam ficar atentos com algumas características no filho. “A primeira sinalização de que algo não está caminhando como deveria na escola, é a mudança drástica de comportamento da criança/adolescente”, justificou.

A psicóloga Deborah afirmou ainda que a vítima parece se mostrar insegura, amedrontada, com baixa auto-estima e demonstra aflição, evitação e apreensão com tudo relativo à escola. “Seus objetos escolares sempre “somem” perdem-se ou estão frequentemente estragados. A criança/adolescente pode desenvolver transtornos gerais (TOC, terror noturno) ou psicossomatizar (queixar-se de dores gastrointestinais, dor abdominal, dores de garganta, insônia, sentimento de tristeza ou infelicidade, anorexia), entre outros”, explicou.

Deborah Guedes aconselha os pais à sempre falarem sobre o bullying com os seus filhos, ouvindo o que a criança tem a dizer ou reclamar, sem interrompê-lo ou julgá-lo, explique que aceitar, testemunhar ou praticar bullying não é correto, pergunte quem agride, onde, quando, como e com que frequencia as agressões acontecem, contate a escola (professor, direção) e peça ajuda, aconselhe que agressões não devem ser toleradas e, além disso, contate instâncias ético-legais (advogado, conselho tutelar) se o fato não for resolvido na escola.

A Psicóloga aconselha crianças e adolescentes que passam por bullying a contar o fato a algum adulto de confiança. “Busque proteção, não fique sozinho e de maneira alguma se sinta culpado ou merecedor destas agressões”.

Já aos pais, a psicóloga sugere que jamais ignorem a situação. “Nunca diga que isso é “coisa de criança”, que com o tempo passa e jamais incentive o revide, pois violência gera mais violência”, finalizou.

Saiba mais sobre o Bullying:

BULLYING é um termo em inglês (pronuncia-se “B-U-L-I-N”). Compreende atitudes agressivas, violentas, repetitivas e intencionais, demonstrando uma desigualdade de poder ou abuso de autoridade e causando intimidação da vítima. É mais conhecido dentro do ambiente escolar público e privado, mas não está limitado só a ele. Pode ocorrer diariamente no trabalho, em instituições sociais, educacionais, religiosas, militares, entre vizinhos, entre países, etc. Atinge crianças, jovens, adultos e idosos sem distinção de sexo e não respeita hierarquia de classes ou esferas da sociedade.

Crianças agressoras ou “bullies” são pessoas ameaçadoras, autoritárias, irritadiças, que apresentam instabilidade afetiva, intolerância às frustrações, agressividade na resolução de conflitos, atitudes delinquentes com tendência à criminalidade e com muita auto-estima e por isso se deleitam com o sofrimento alheio. Ao aparecer em casa com objetos que não são seus (estojos, livros, dinheiro, etc) a criança deve ser questionada pelos pais quanto à procedência destes objetos, pois podem ter sido subtraído à força de outras crianças.

Deborah explicou que se acreditava que os alvos dos ataques de bullying eram sempre crianças de aparência desfavoráveis, portadoras de deficiências (físicas ou intelectuais) ou representantes de minorias. “Porém, atualmente, tenho recebido solicitações de intervenção em escolas e atendido em consultório crianças belas, inteligentíssimas, bem articuladas, pertencentes a classe social média-alta, que se queixam de exclusão e difamação contínua de seus colegas, seja na escola, no bairro que residem ou de forma virtual”, afirmou.

Conheça sobre a nossa entrevistada:

Deborah Guedes é Psicóloga, doutoranda e mestre pela Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM), em Pediatria em Ciências aplicadas á Saúde.

Desde 2004, pesquisa Bullying (violência física e emocional), Cyberbullying (violência virtual), suas consequências na saúde mental dos envolvidos no episódio, auxilia professores na identificação dos personagens (vítimas, agressores, testemunhas), além de propor ao corpo escolar, estratégias preventivas e/ou interventivas na contenção da violência, baseadas em aspectos ético-legais.

Deborah Z. Guedes -  e-mail: dzguedes@yahoo.com

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