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Vereadores de Taboão antecipam voto e “elegem” Marcos Paulo presidente da Câmara

Por Sandra Pereira | 4/12/2014

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Sandra Pereira

Numa das maiores e mais arriscadas manobras políticas já executadas em Taboão da Serra os vereadores Marcos Paulo (Pros), Érica Franquini (PSDB), Cido da Yafarma (DEM), Ronaldo Onishi (Solidariedade), Luzia Aprígio (PSB), Luiz Lune (PCdoB) e professor Moreira (PT), anunciaram em entrevista coletiva na noite desta quinta-feira, 4, os votos na eleição da mesa diretora da Câmara. Os sete declararam que vão votar em Marcos Paulo para presidente, Érica Franquini, vice-presidente, Cido 1º secretário e Onishi 2º secretário. A nova mesa diretora da Casa está  eleita, ainda que em votação apertada, se nenhum dos vereadores mudar o voto. Os sete garantiram que não voltam atrás e se disseram dispostos a enfrentar qualquer tipo de pressão.  

“Só Deus muda o meu voto. Estou consciente e tranquilo. O voto tá decidido independente da data da eleição”, repetiram os sete vereadores como em única voz. 

O que chamou a atenção na coletiva foi a união do grupo. Mesmo diante dos boatos de demissão em massa dos cargos políticos no governo eles não arrefeceram da decisão. Os seis vereadores que ficaram de fora do anúncio tentam eleger Carlinhos do Leme (PP) que na prática perde a eleição por apenas 1 voto. A escolha da mesa diretora da Câmara estava marcada para o dia 9 , mas deve ser alterada em razão do anúncio feito pelos vereadores que anteciparam a votação. O ato de rebeldia dos vereadores foi recebido com surpresa e insatisfação pelo grupo dos seis que ainda espera reverter a situação e já fala em adiar a votação.  

Falando como presidente do Legislativo Marcos Paulo disse que a mesa “eleita” não é de oposição ao governo do prefeito Fernando Fernandes (PSDB). Lembrou que sempre fez defesa do governo na Casa ao lado de Érica Franquini, Cido, e Onishi e garantiu que só não estará ao lado do prefeito na campanha eleitoral de 2016 caso ele não queira. Marcos Paulo disse que vai agir para unificar a Câmara e falou que sua meta será aproximar o Legislativo da população. Paulinho convidou os integrantes dos chamado grupo dos seis a apoiar sua candidatura e disse que na Casa vai atuar em defesa da unidade do parlamento. 

“Somos base do prefeito. A eleição da mesa é um processo interno que não afeta o governo. A gente não quer ser oposição. O voto de cada um aqui foi muito pensado e decidido. Esse grupo está unido. É forte e ninguém vai desistir. Estamos aqui de forma transparente todo mundo apalavrando o seu voto”, afirmou Marcos Paulo. "Nunca  pratiquei a política de segregação na Casa", completou, fazendo referência ainda que velada ao fato do grupo que ele lidera ter sido tratado com desdém em algumas situações internas, fato que deixou sequelas na relação entre os vereadores e que se refletiu na eleição.

Havia entre os vereadores uma espécie de acordo com o  prefeito Fernando Fernandes segundo o qual o novo presidente deveria ser eleito com voto dos 10 vereadores da base. Líder da oposição o vereador Moreira disse na entrevista coletiva que foi procurado pelos vereadores André Egydio (PSDB), Joice Silva (PTB) e Eduardo Nóbrega (PR) que pediu voto para Carlinhos do Leme (PP). Só depois disso ele teria ouvido a proposta de Marcos Paulo e somente nesta quarta-feira, 3, teria declarado seu apoio a ele. 

“Dizia-se de tribuna que o voto da oposição não valia. Nós ficamos quietos até que eu fui procurado por vários deles e acabei achando a composição neste time mais viável. Os nomes da base natural do prefeito não tinham o compromisso de tornar a Câmara mais democrática”, falou Moreira. “Todos os vereadores tem direito a voto. Cada um tem seu peso na Casa. Não se pode negar isso. O Parlamento não pode ser visto de forma pessoal. É preciso buscar o consenso”, completou Marcos Paulo. 

Ronaldo Onishi pregou a conciliação entre a Câmara e o governo. Lembrou que política é a arte de compor e disse que a antecipação do voto inicia a composição na Casa. Ele também disse que é governo e que a decisão não afeta a relação com o prefeito Fernando Fernandes.

"Nós iremos fazer uma Câmara para todos os vereadores. Vamos querer compor com todos eles. Ouvir e se aproximar. Temos tudo para fazer uma grande gestão. Nossa relação com a oposição será a mesma de sempre. A oposição votou vários projetos do governo. Haverá momentos em que teremos posições antagônicas, mas é normal", afirmou. 

Cido ressaltou que a nova mesa não será de oposição e disse que o voto para Marcos Paulo é fruto de muita reflexão e pelo fato dele estar preparado para a tarefa.

"Não estamos formando uma mesa de oposição. É uma mesa para administrar o Legislativo. Meu voto não tem volta. Estou declarando porque o meu voto é inquestionável. Sou um dos que mais defendeu o governo, mas a eleição é uma questão interna e o Paulinho é quem melhor representa o modelo de legislativo desse novo momento", falou. 

Uma das vereadoras que mais sofreu a pressão interna na Casa, Érica Franquini, se disse disposta a enfrentar qualquer dificuldade ou pressão para manter seu voto. Ao ser questionada sobre a possibilidade de sofrer pressão dentro do PSDB disse que está preparada para tudo, até mesmo pra expulsão. Sobre os boatos de exoneração dos cargos políticos ligados a ela falou que todos os cargos são do prefeito. "Já me expulsaram do PDT e se o PSDB fizer o mesmo não tem problema. Só Deus muda meu voto. Aprendi muito esses dois anos. Já passei muita coisa. Não tenho medo de retaliação e nem ameaça. Não estamos contra o prefeito. A votação é interna", disse. 

O vereador Luiz Lune disse que seu partido não tem nenhum problema em compor com o governo. Disse considerar desastroso e triste a participação do Executivo na eleição da Câmara.

"Meu partido não tem problema com o PSDB. Não teria problema em estar no governo. Mas é triste ver a interferência numa eleição interna. Sempre votei com o governo em quase todos os projetos. A gente quer dizer que nossos votos valeram e vale na eleição de qualquer mesa", disse Lune que revelou já haver prometido voto a Marcos Paulo. 

Pego de surpresa com anúncio dos pares o presidente da Câmara, Eduardo Nóbrega, reagiu ao anúncio com incredulidade. O presidente disse que por conta do anúncio a data da eleição será alterada, medida que a até a última terça-feira era considerada por ele como golpe – relembre aqui

“Não sei mais quando será a eleição. A situação se complica e os demais candidatos se rebelam. Tudo isso está sendo uma surpresa para mim. Os líderes agora terão que se reunir e conversar. A eleição ainda não aconteceu. Mas se isso se confirmar haverá uma alteração inevitável na base do prefeito”, avisou Nóbrega. 

A reportagem do Jornal na Net tentou contato com o prefeito Fernando Fernandes para comentar o assunto, mas o secretário de comunicação, Daniel Sá, afirmou que ele só irá comentar o anúncio dos vereadores posteriormente. 

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